É chegar ao supermercado e notar. “As frutas estão muito caras”, avisa a aposentada Clara Costa. E estão mesmo. De acordo com levantamento divulgado ontem pelo Dieese/PA, a maior parte das frutas tradicionais na ceia natalina está com preços em ascensão. Em alguns casos, a alta chega a ser sete vezes superior à inflação calculada para o período, hoje em torno de 6%.
É o que acontece, por exemplo, com a maçã argentina que puxa o peso no bolso do consumidor. Nos últimos 12 meses, o quilograma chegou a aumentar expressivos 42,39%. “Tá difícil manter o padrão”, reclama Neuza Lopes diante dos preços. Segundo o Dieese, que realizou a pesquisa nos principais supermercados da cidade entre os dias 11 e 13/12: as passas escuras (alta de 41,66 %), a ameixa Seca (alta de 28,09 %), a nectarina (alta de 27,69 %) e o pêssego nacional (alta de 261,4%) formam o quinteto de vilões ‘verdes’ na ceia natalina.
Fiel consumidor de frutas, não só nas festas de fim de ano, o militar Raimundo Machado Progênio traz ao supermercado a experiência de vários natais. “Todo ano é a mesma coisa, os preços disparam”, constata já ensinando a estratégia. “A alternativa é regionalizar a mesa. Você usa ao invés da maçã importada, a nacional que esta época está docinha. No lugar da uva Tompson coloca a Itália e assim vai deixando a ceia mais compatível com o numerário”, revela o militar enquanto separa as melhores castanhas portuguesas, disponíveis ao preço de R$ 30,54 o quilo. “É a exceção para a filha única que gosta e vem de Fortaleza para o Natal. É uma questão de merecimento”, descontrai.
A pesquisa também concluiu que a maioria dos produtos em escala de alta são importados, como a maçã verde importada, com alta de 26,15%; a ameixa fresca importada, com alta de 20,87 %; a tâmara importada (pacote 200 g), com alta de 9,64 %; o pêssego fresco chileno (Kg), com alta de 7,58 %; e a pera d’anjur, com alta de 4,38 %. Nesses casos, uma das justificativas seria a alta do dólar em relação ao mesmo período do ano passado. No ano, a moeda estrangeira girava entre R$ 1,75 e R$ 1,79. Hoje, está sendo cotado entre R$ 2,05 e R$ 2,07. A previsão do Dieese é que os preços aumentem ainda mais a partir deste final de semana. A recomendação do departamento aos consumidores é para a compra antecipada e pesquisa de preços.
(Diário do Pará)
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