Depois de anunciar rompimento pessoal com o governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), despachou na última sexta-feira (17) 11 pedidos de atualização de impeachment já apresentados à Secretaria Geral da Mesa contra a presidente Dilma Rousseff. A informação é do blogueiro do UOL, Josias de Souza.
Um dos protocolos foi feito pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), e os demais partiram de cidadãos de diversas localidades do país.
No protocolo de Bolsonaro, o parlamentar acusou a presidenta de ter responsabilidade nos desmandos praticados na Petrobras e desvendados pela Operação Lava Jato, investigação que tem Cunha entre os alvos.
Cunha quer ter um parecer sobre o assunto em 30 dias. Na sexta, ele pediu que os autores dos requerimentos atualizem os pedidos para que eles possam tramitar.
SEM APOIO
A decisão de Cunha não contou com o apoio nem mesmo do PMDB, que declarou ainda fazer parte do governo e que, qualquer mudança política deveria passar por todas as instâncias do partido. A sigla também enfatizou que a posição de Cunha é pessoal.
A oposição, que tem andado de mãos dadas com Cunha desde que ele derrotou o PT e o governo e conquistou a presidência da Câmara, em fevereiro, também não saiu em defesa do peemedebista. Apenas o Solidariedade foi a público apoiá-lo.
Neste sábado (18), Cunha afirmou que não buscava apoio. "Não busquei e nem vou buscar apoio para isso, a não ser o debate na instância partidária competente. E também não busquei e nem vou buscar apoio fora do PMDB, até porque cada partido tem e terá a sua postura dentro da sua lógica. O meu gesto não significará que estou buscando ganhar número para enfrentar e derrotar governo", escreveu ele em uma rede social.
O peemedebista negou ainda que irá prejudicar o andamento do ajuste fiscal, pauta prioritária para o Planalto neste ano. "Não tenho histórico de ajudar a implementar o caos na economia por pautas que coloquem em risco as contas públicas", escreveu.
Cunha, no entanto, já afirmou publicamente que não aceitará votar o projeto de lei encampado pelo governo de repatriação de dinheiro depositado no exterior e tem dito, nos bastidores, que poderá travar a votação do projeto que altera a desoneração da folha de pagamento para diversos setores da economia. As duas propostas são cruciais para o sucesso do ajuste, conduzido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
(DOL com informações da Folhapress)
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