Em um acordo fechado na Justiça, a Alstom, que atua na área de infraestrutura de energia e transporte, aceitou pagar uma indenização de cerca de R$ 60 milhões para se livrar de um processo em que é acusada de pagar propina para conquistar um contrato de fornecimento de duas subestações de energia, em 1998, para uma empresa do governo de São Paulo, na gestão do tucano Mário Covas.
O acordo não contempla os processos sobre o Metrô, a CPTM e as acusações de que a multinacional francesa fez parte de um cartel que agia em licitações de compra de trens. Em todos esses casos, há suspeitas de que integrantes do PSDB tenham sido beneficiados por suborno.
No acordo, a empresa não reconhece culpa no processo instaurado em 2008. Nas primeiras negociações, promotores haviam pedido R$ 80 milhões, mas a Alstom refutou. O valor da indenização foi calculado a partir do suborno pago pela Alstom, que correspondeu a 17% do valor do contrato, segundo documento interno da própria multinacional, revelado pela Folha em janeiro de 2014.
Um dos motivos que levaram a Alstom a fechar o acordo foi a decisão judicial de fevereiro deste ano, que bloqueou R$ 282 milhões dos réus, dos quais R$ 141 milhões eram da multinacional. Com o acordo, a Alstom poderá receberá de volta o montante.
Após contato da Folha de S. Paulo, a Alstom não quis comentar o acordo acertado por advogados contratados pela empresa, em processo em que a multinacional é ré, sob a alegação de que vendeu a sua divisão de energia para a GE e esta deveria se manifestar.
Entenda o caso
- 2008
Autoridades suíças descobrem que a Alstom pagou propina para obter contratos com estatais paulistas. Esquema envolveu suborno de R$ 23,3 milhões, em valores atualizados, para obter contrato de R$ 181,3 milhões para fornecer equipamentos para três subestações elétricas da Eletropaulo e EPTE.
- 2014
Robson Marinho, conselheiro do TCE-SP, que estaria envolvido no esquema, é afastado por ordem da Justiça.
- 2015
Em fevereiro, Justiça decide bloquear R$ 282 milhões da Alstom e de Marinho
- Agora
Alstom fecha acordo com a Justiça e pagará R$ 60 milhões. Justiça havia bloqueado R$ 140 milhões da empresa
(DOL, com informações da Folha de S. Paulo)
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