O esquema de corrupção investigado pela nova fase da Operação Lava Jato envolvendo o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Silvio Pereira e Delúbio Soares, ex-dirigentes do PT, e Ronan Maria Pinto, empresário ligado ao setor de transportes e mídia em Santo André (SP), aconteceu ao mesmo tempo que o mensalão, segundo integrantes da força-tarefa.
Há personagens, inclusive, que aparecem em ambos os escândalos, casos de Marcos Valério, Delúbio Soares e José Dirceu.
Pereira e Ronan foram presos nesta sexta (1º) e levados para Curitiba, durante a 27ª fase da Lava Jato. Delúbio e o jornalista Breno Altman, diretor editorial do site Opera Mundi, foram os alvos de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor e liberado).
"Há realmente, do meu ponto de vista, alguma ligação. Não é o mesmo esquema, mas são esquemas relacionados. Se você observar a época dos fatos, esse esquema do mensalão consistia em empréstimos fraudulentos junto ao Banco Rural e ao Banco BMG em troca de favores do governo", afirmou o procurador da República, Diogo Castor de Matos.
"Posteriormente, as instituições financeiras eram agraciadas com algum favor do governo federal. O Banco Schahin era uma situação parecida. Estamos analisando fatos de outubro de 2004, o mensalão veio à tona em maio de 2005. Esse esquema ocorreu concomitantemente ao mensalão, então por isso você vai ter alguma recorrência de alguns personagens, como o Marcos Valério. Segundo o Marcos Valério, o Silvio Pereira teria o procurado em 2004 para operacionalizar mais o esquema de capitais", completou o procurador da República. O empresário Marcos Valério foi considerado o principal operador do mensalão e está preso.
A nova fase da Lava Jato recebeu o nome de Carbono 14 em referência a procedimentos utilizados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos. "A investigação de hoje, embora atual, remete a fatos que ainda estão no imaginário popular em tese como não esclarecidos", afirmou o delegado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula.
As informações são do UOL
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