Foi parecido com o último chute para fora do gol do jogador italiano Roberto Baggio na Copa de 1994, quando a seleção brasileira ganhou o tetracampeonato.
Mas as pessoas, muitas delas com camisas verde e amarelo da seleção de futebol, comemoravam o 342º voto favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Entre os que vibravam, alguns choraram, e muitos gritavam "fora, PT" assim que o último voto "sim" foi declarado. Até a batucada parecia com uma torcida organizada. Tinha caixa, surdo e tamborim no samba contra o impeachment.
Pouco antes, locutores do MBL se revezavam numa contagem regressiva. "Faltam muito poucos votos para o Brasil voltará ser livre", disse um deles, várias vezes.
Em cima do palco do MBL jovens passaram a votação toda dançando. Pixuleko (apelido dado a bonecos que mostram Dilma e Lula com roupas de presidiários) na mão o tempo todo e de olho no telão, o engenheiro Luciano Morozowski, 40, comemorava cada voto a favor.
"Ela vai ser julgada pelas pedaladas e pelas consequências dessas pedaladas, mas acredito que tem muito mais motivos para ela cair. Mais crimes surgirão e não vai ser o Senado que vai segurar", disse Morozowski.
REZANDO PELA SAÍDA
Mãos juntas e olhos fechados, a assessora de eventos Juliana Nascimento, 25, passou boa parte da votação orando. Da religião Batista, ela disse que "conversava com Deus" pelo país.
"Queremos que o país e os brasileiros não se afoguem. O Temer não é a solução, mas o impeachment é para a gente respirar diante da situação. Depois do impeachment, deve ter uma limpeza geral", disse.

Grupos pró-impeachment comemoraram o resultado da votação (Foto: Fábio Pozzebom/ABr)
Católico não praticante, o namorado dela Felipe Gennari, 27, que é consultor em educação, passou o tempo todo agarrado a ela durante a votação.
Eles chegaram às 12h na Paulista e acompanharam voto a voto a sessão do impeachment, que começou às 17h. "A gente não sai daqui enquanto não acabar a votação", disse ele, que, junto com Juliana, foi em vários atos pró-impeachment na avenida.
FOGOS E CARRETA FURACÃO
Em bairros como a Vila Mariana e Mooca, foram ouvidos rojões e panelaços.
Na Paulista, o apresentador Danilo Gentili subiu ao palco após o 342º voto e disse que Dilma "está com o cu na mão de perder o emprego". Na sequência, anunciou a banda Carreta Furacão, "a banda mais importante do mundo".
(Folhapress)
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