Em um dia de dólar mais fraco no exterior, o real teve a maior desvalorização entre as principais moedas nesta sexta-feira (25), com o cenário político de volta ao foco do mercado.
Pela manhã, a moeda americana chegou a subir mais de 2%, para quase R$ 3,47, e a Bolsa a cair acima de 1,3%. Os investidores reagiram ao envolvimento do nome do presidente Michel Temer no caso que levou Marcelo Calero a pedir demissão do cargo de ministro da Cultura.
Em depoimento à Polícia Federal, Calero disse que foi "enquadrado" por Temer para encontrar uma "saída" para um empreendimento de interesse do ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) em Salvador.
Antes, o ex-ministro da Cultura havia acusado Geddel de tê-lo pressionado a produzir um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais.Com o agravamento da crise, Geddel pediu demissão na manhã desta sexta-feira, o que aliviou a tensão no mercado financeiro. Entretanto, o mal-estar entre investidores prosseguiu.
A moeda americana à vista fechou em alta de 0,64%, a R$ 3,4180. Na semana, acumulou ganho de 0,90%. O dólar comercial subiu 0,55%, a R$ 3,4140, com valorização acumulada na semana de 0,76%.
"A baixa liquidez pelo fato de o mercado americano ter fechado mais cedo após o feriado de Ação de Graças também influenciou os negócios", afirma Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora". "Mas o principal fator para a alta do dólar foi o cenário político conturbado."
Os temores dos investidores são de que o novo escândalo político atrapalhe a aprovação de medidas do ajuste fiscal no Congresso e, consequentemente, a recuperação da economia do país.
O mercado de juros futuros acompanhou o movimento do dólar, e as taxas registraram alta, principalmente nos contratos mais longos. O contrato de DI para janeiro de 2018 subiu de 2,140% para 12,160%; o contrato de DI para janeiro de 2019 subiu de 11,670% para 11,760%; e o contrato de DI para janeiro de 2021 passou de 11,880% para 12,060%.
(Folhapress)
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