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Executivo diz ter destinado R$ 40 mi a Lula

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que a empresa destinou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva R$ 40 milhões de propina, ao final do seu mandato. "A gente entendia que o Lula ainda ia ter infl

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Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que a empresa destinou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva R$ 40 milhões de propina, ao final do seu mandato.

"A gente entendia que o Lula ainda ia ter influência no PT. O Lula nunca me pediu diretamente isso; eu combinava com o [ex-ministro Antonio] Palocci", afirmou.

O executivo diz não saber o destino de todo o dinheiro, mas sabe que parte foi sacada em espécie, por exemplo, a pedido de Palocci, e descontada do saldo "Amigo" -forma como Lula era tratado na empreiteira, segundo ele.

"Quando ele pedia isso, sabia que se referia a Lula."

Parte do saldo também serviu para a compra de um terreno que seria doado ao Instituto Lula, num plano que acabou sendo abortado. A Odebrecht, depois, vendeu o terreno e "creditou" o valor no saldo "Amigo" novamente, segundo contou Marcelo.

O executivo também afirmou que o pagamento a políticos em caixa dois era recorrente na empreiteira. Em uma de suas planilhas, as doações eleitorais oficiais eram identificadas como "bônus".

"Três quartos do custo estimado das campanhas era caixa dois. Então, o pessoal precisava de caixa dois", disse Odebrecht, em audiência feita na segunda (10) e tornada pública nesta quarta (12).

SEÇÃO DE PROPINAS

O atual delator da Lava Jato admitiu que a Odebrecht estruturou um departamento de propinas no início da década de 1990, simultaneamente ao escândalo dos anões do Orçamento (1993) e à internacionalização da companhia. A ideia era acabar com o "descontrole total" da contabilidade e continuar atendendo às demandas.

Com isso, passou a pagar propinas no exterior -chamadas pelo empreiteiro de "pagamento não contabilizado". Os presidentes de cada unidade de negócios tinham autonomia para fazer seus pagamentos.

Parte deles era feita em offshores. Outra parte, paga em dinheiro, por meio de doleiros que recebiam os valores da Odebrecht no exterior e os convertiam para reais.

No depoimento, Marcelo confirmou que o apelido "Italiano" era referência ao ex-ministro Antonio Palocci, tido como seu principal interlocutor no governo do PT.

O executivo também contou um episódio em que o ex-ministro Guido Mantega teria dito, em meio à negociação de um programa de refinanciamento, que tinha a expectativa de que a Odebrecht doasse R$ 50 milhões à campanha da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010.

Esse valor está incluído nos créditos da planilha "Programa Especial Italiano". Mantega, nessa tabela, é referido como o "Pós-Itália".

OUTRO LADO

Em nota, o Instituto Lula afirmou que o ex-presidente nunca pediu valor indevido à Odebrecht nem "a qualquer outra pessoa". O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, vem afirmando que o ex-ministro é inocente e que jamais intercedeu em favor da Odebrecht. Mantega tem negado irregularidades.

(Folhapress)

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