Após assistir a passagem do Círio de Nazaré, a doméstica Marilda Garcia voltou para casa com as mãos cheias. Embrulhada na toalha que, momentos antes, serviram para enxugar lágrimas, a pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré descansava sob as mãos unidas em forma de concha. O ninho improvisado era mantido próximo ao corpo a qualquer custo, independente dos esbarrões. “Eu recebi essa santinha de uma senhora que estava passando”, explica.
Os momentos que antecederam à ida de Marilda ao Círio deste ano não foram os melhores, mas o clima pesado que se fazia presente em sua casa não lhe tirou a vontade de ir. Durante a volta para casa, a certeza da melhor escolha. “Estou saindo daqui com o espírito renovado. Saio em paz, diferente de como vim”.
Ainda com lágrimas nos olhos e com os pensamentos voltados à Virgem de Nazaré, a doméstica seguia a procissão que precede o Círio por caminhos próprios. Como um rio que deságua por suas ramificações, os romeiros que tomam de ponta a ponta o percurso do Círio, fluíam pelas ruas transversais à velocidade dos passos cansados. Pelo caminho, em cada rosto, a história de mais uma procissão.
O autônomo Antônio Luiz veio do Salvador (BA), para fazer duas coisas: cumprir promessa e vender seus lenços com a imagem de Nossa Senhora. Ele conheceu a estória do Círio de Nazaré através de sua ex-esposa e desde então se tornou adepto e cheio de fé na Santa. Pediu uma casa e a recebeu, por esta razão veio carregar uma casa na cabeça por todo o percurso da santa. Ao finalizar sua promessa começou a vender os lenços, em frente à basílica.
“Vim hoje e vou só na terça, vim pagar minha promessa e aproveitar para garantir a volta pra casa, e poder compra lembrancinhas para quem não veio.”(parentes e amigos).” Termina sua frase com um leve sorriso de satisfação no rosto. “Não é fácil vim para cá, são R$ 300,00 pra vim e mais R$ 300,00 reis para voltar, só por Nossa Senhora mesmo”. (Diário do Pará)
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