Quando Georgete Araújo Chaves teve seu primeiro contato com o Círio, tinha apenas 14 anos e sentiu uma emoção muito forte que nunca mais a abandonou. “Minha família toda era católica, então foi uma emoção muito grande ver a Santa passando. Era lindo, eu chorava, pedia saúde e felicidade. Desde então nunca mais deixei de rezar para Nossa Senhora”, relembra Georgete durante o almoço do Círio com sua família, no bairro da Marambaia.
Aos 84 anos, ela vê um longo trajeto se desenvolver com seus sete filhos com seu finado marido, Francisco das Chagas Costa. Filhos e netos se reúnem na casa da matriarca durante o Círio de Nazaré e o almoço em família se torna um local para caloroso reencontro com os parentes que moram longe. “Passo o ano todo pensando em rever eles. Assim que termina eu já começo a ficar com saudades”, relembra.
Para Waléria Chaves Costa, sexta filha do casal, a lembrança mais forte do Círio, que ela conheceu ainda criança, foi do tempo que se gastava para acompanhar a procissão. “Morávamos em Icoaraci, que era quase uma cidade do interior do estado de tão longe na época. Chegávamos cedo ao nosso ponto na Senador Lemos e a família toda ficava sentada na calçada, esperando a passagem da Santa. Mas era tão rápido que eu mal entendia o que estava acontecendo, me lembrava mais que em seguida nós íamos para a casa dos avós almoçar”, diz a filha.
Após muitos anos, Waléria voltou a acompanhar o Círio este ano. E a vida que separou a criança da adulta lhe deu uma sensação a respeito do evento. “Acompanhei a rodoromaria e foi um aperto para chegar e depois para sair, pela quantidade de pessoas que acompanharam, mas quando a gente vê a imagem passando é um turbilhão de emoções que passa pela cabeça – saudade, gratidão, arrependimento, felicidade, as coisas que ainda precisamos fazer para melhorar. É algo maravilhoso”, define.
(Diário do Pará)
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