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TORCIDA

Paraenses são esperança de medalhas nas Paralimpíadas

Mulheres paraenses entram na disputa após muita dedicação e treino.

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Imagem ilustrativa da notícia Paraenses são esperança de medalhas nas Paralimpíadas camera Jhulia, Lucilene e Bruna é o Pará nos Jogos. | Divulgação/CPB

O brasileiro não precisa mais viver a abstinência que os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 deixaram. Isso acabou com a chegada dos Jogos Paralímpicos.

No início das competições, já tivemos paraense disputando do outro lado do mundo. O time feminino está com tudo em Tóquio: Kamila Teixeira, fisioterapeuta da seleção de atletismo e natação; Bruna Lima, no vôlei sentado; Jhulia Karol, no atletismo; e Lucilene Sousa, na natação.

Vale lembrar que nas Olimpíadas haviam apenas dois paraenses: Rogério Moraes e Lucas Mazzo. Nas Paralimpíadas, o Pará ainda conta com Parazinho, no Goalbal, Alan Fonteles, no atletismo, e Thiego Marques, no judô.

ATLETAS

Bruna Lima, Lucilene e Jhulia, atletas paralímpicas e esperanças de medalhas nos jogos.

Bruna Lima, de Marituba, está na sua primeira Paralimpíada. Já Lucilene é de Santa Maria do Pará, nordeste paraense; Jhulia Karol, de Terra Santa, no Baixo Amazonas, já disputou a Paralimpíada em Londres (2012), conquistando uma medalha de bronze nos 100m rasos.

Lucilene Sousa
📷 Lucilene Sousa |Sulo Cruz/ EXEMPLUSCPB

Lucilene já disputou a sua primeira prova, mas não conseguiu se classificara para a final. No dia 29, ela fará a sua disputa principal nos 50 m raso.

Jhulia Karol
📷 Jhulia Karol |Ale Cabral/CPB

Jhulia Karol começou correndo ainda no fim de sexta-feira (26), mas fez deixou parou na semifinal do 400m (T11), na 5ª posição com 59s17.

BRUNA LIMA

Após sofrer um acidente de moto, no fim do ensino médio, Bruna, 31 anos, se entregou mais ao esporte. “Antes de precisar amputar a perna, já gostava muito de esporte, jogava futebol. Mas nada oficial, só por diversão mesmo. Depois de dois anos do acidente, meu treinador Cleberson Menezes me encontrou no Facebook e fez o primeiro contato. E quando fui conhecer a modalidade me apaixonei de cara”, explicou.

A dedicação de atleta foi algo muito pessoal, e na pandemia ela precisou confiar ainda mais no seu potencial, já que os treinos ocorreram virtualmente e o dinheiro estava curto. “Eu entrei em contato com o treinador da Tuna Luso pedindo para treinar lá nesse período de convocação para a paralimpiada. Fiquei por 2 meses. O ano de 2020 foi muito difícil”, contou.

“No Pará as pessoas não acreditam nas pessoas com deficiência. Não dá credibilidade”, acrescentou. Sua trajetória até chegar no vôlei sentado foi de autoconhecimento, e ainda precisou de uma dedicação a mais para que ela passasse a conhecer a modalidade.

“Ele não é tão reconhecido, o esporte paralimpico no geral, não tem muitos patrocínios. No meu caso por exemplo, em quatro anos de vôlei e dois anos de seleção, consegui dois patrocínios, um de uma empresa de resíduos chamada Solví, que me ajudou financeiramente para essa viagem. E outro de uma clínica odontológica, que está me ajudando na estética dos meus dentes. Fora isso não tenho nenhuma ajuda”, explicou.

Com o sucesso das Olimpíadas de Tóquio, a SportTV promete o mesmo sucesso nas Paralimpíadas. Essa visibilidade pode de fato despertar a paixão dos brasileiros por modalidades não tão conhecidas. “Isso é muito bom, mas mesmo assim acredito que não será muito visto, muitas pessoas não conhecem. Falta de visibilidade”, analisou a atleta.

Em disputa eletrizando, o Brasil venceu o Canadá no tie-break, por 17 a 15. O jogo terminou 3 a 2. O próximo confronto é contra o Japão, no dia 29, às 8h30.

E a atleta deixa um recado: “não desista diante da adversidade, seja forte e corajoso. Você não é deficiente, é eficiente”.

FISIOTERAPEUTA

Se diante do público os atletas se esforçam por resultados positivos, por traz das conquistas tem uma grande equipe de profissionais que trabalham em conjunto para estes resultados. A fisioterapeuta Kamila Teixeira, está na delegação em Tóquio acompanhando os paratletas do atletismo e da natação brasileira.

A paraense tem uma história longa junto ao esporte brasileiro. Trabalhando por quatro anos com atletas olímpicos e depois cinco com os paralímpicos, Kamila até tentou voltar ao Pará, mas a dificuldade em se estabelecer como profissional fez ela retornar para São Paulo.

“Depois da minha experiência com os atletas olímpicos, tentei voltar para Belém em 2013, mas não consegui fazer minha vida, foi difícil. Eu só queria um trabalho para recomeçar, mas não deu. Fiquei sete meses em Belém, aí entrei em contato com meu ex chefe e ele me deu minha vaga de volta. Quando retornei para São Paulo já voltei para Confederação Brasileira de atletismo”, contou.

Kamila trabalha em uma das modalidades que tem as maiores chances de subirem ao pódio. Só a natação já ganhou mais de 10 medalhas. “Essas são as modalidades que mais vencedoras dos jogos, com toda certeza vamos ter muitas medalhas de ouro e recordes mundiais. As possibilidades de resultados positivos com atletas que trabalhamos rotineiramente, são reais”.

Está é a segunda paralimpíada de Kamila, mas no currículo dela tem mundiais, pan-americano e tantas outras competições internacionais. Em 2016 foi a sua primeira experiência efetiva com o comitê paraolímpico brasileiro em janeiro de 2016. “Neste mesmo ano tivemos os Jogos do Rio, e eu tive a oportunidade de participar pela primeira vez”, contou.

“A minha experiência em Tóquio tem sido maravilhosa, são jogos paraolímpicos, a gente se prepara um ciclo interio para colher esse fruto, a pesar de toda a estrutura maravilhosa, atenção e atendimento que temos recebido, nunca será igual ao que foi na nossa terra. Entrar no Maracanã lotado com todas aquelas luzes de celulares acessas ao som de gritos de ‘Brasil’, é de arrepiar. Eu tenho consciência de que podemos participar dos melhores jogos do mundo, da melhor edição, que nunca será igual ao que foi quando o nosso país sediou os jogos”, acrescentou.

Com uma rotina corrida pesada em Tóquio, Kamila compartilha alguns momentos nas redes sociais. “Quando as competições começam sempre estamos preparando os atletas para atuarem da melhor maneira, com conforto, eles precisam estar prontos para darem 100% e trazerem as medalhas para gente”, explicou.

A fisioterapeuta conta que um dos maiores desafios encontrados nos Jogos paralimpicos é recuperar atletas que se lesionaram no treinamento. Kamila sabe da responsabilidade em ajudar na recuperação deles em tempo hábil para que eles tenham os melhores resultados das suas vidas. “É um peso, mas ficamos gratos porque grande parte das vezes conseguimos atingir esses objetivos”, desabafou.

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