O geriatra Rodrigo Dias elenca outros fatores para a repelência a exames, como o preconceito e alguns casos de restrição religiosa. Neste último caso, até situações extremas e de risco de morte, como transfusões de sangue ou transplante de órgãos, não são permitidas. Mas Dias considera que o principal problema atende pelo nome de falta de informação. “Por não entender muito bem como são realizados os exames, as pessoas tendem a supervalorizar as dificuldades ou mitos sem fundamento. Falta de informação gera falta de confiança. Então, a relação médico-paciente, esclarecendo dificuldades, é fundamental para superar essa barreira e tomar os devidos cuidados com a saúde”, afirma o médico e professor.
A falta de informação nos temas da saúde, de um modo geral, ainda é um problema sério, mas a preocupação em não adoecer tem ganhado espaço também. Muitas pessoas, mesmo tendo medo de alguns tipos de exame, não abrem mão de fazer o seu check-up. Na feira da Pedreira, mesmo os trabalhadores mais humildes mostravam consciência da necessidade dos exames. “Faço exames sem problema nenhum. Semana passada mesmo eu estava fazendo um. E não tem essa de preconceito. Vesícula, próstata... faço todos os exames. Qualquer problema eu procuro logo um médico”, garante o vendedor de carnes Luís Carlos, mais conhecido como Brôa. Alguns feirantes admitem o medo, mas não deixam de fazer seus exames. “Todo ano faço o check-up. Não tem essa de ter medo ou não. Pior é o risco de ficar doente e morrer. Então, a gente vai e faz”, afirmou o vendedor de legumes José Haroldo.
TODOS OS CUIDADOS
Mas um dos exemplos mais tocantes de cuidados com a saúde vem de Dona Jacira, conhecida como Gatinha. A plenos 84 anos de idade, Jacira continua trabalhando todo dia na feira da Pedro Miranda, abrindo sua barraca às 5h da manhã e encerrando às 16h, um trabalho puxado que deixa suas marcas. “Eu tenho artrose. Tomo remédio, mas todo dia estou aqui”, conta, mostrando marcas na perna. Apesar de não negar o medo de exames de raios-x e de agulhadas, ela não se furta a fazer periodicamente a avaliação da saúde. “O melhor remédio é Deus, mas nós tomamos nossos cuidados. Eu só tenho esse corpo aqui. Preciso dele bom para trabalhar. Precisando fazer exame, eu faço”, sorri Jacira.
Todo ano faço o check-up. Não tem essa de ter medo ou não. Pior é o risco de ficar doente e morrer. Então, a gente vai e faz.
Confira a Série Dr. Responde do Diário do Pará, composta de cinco fascículos, publicados às terças-feiras de setembro. O primeiro fascículo saiu nesta terça-feira, 2 de setembro. Confira!
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