Sem precisar pedir licença, a atenção é imediatamente voltada para baixo. Não sendo possível esconder a alegria súbita, os olhos se enchem de brilho, a boca se alarga em um sorriso e a mão é instantaneamente levada à barriga que se move delicadamente.
Em meio à conversa que a tem como assunto principal, Maria Eduarda faz questão de lembrar a maravilha prestes a ser sentida pela mamãe Fabiane Amorim no seu primeiro dia das mães. “Olha, tá mexendo!”.
No dia que marca o domingo destinado a todas as mães e já no oitavo mês de gravidez, a gerente Fabiane mal consegue conter dentro de si a felicidade e a expectativa evidenciadas cada vez que se refere à primogênita.
Conectadas da forma mais íntima que pode existir, qualquer relação visual entre mãe e filha até hoje se deu apenas pelas imagens dos exames de ultrassom. Ainda sem se conhecerem, a certeza de que nenhum amor poderia ser maior já é sentida.
"É engraçado que antes de ser mãe a gente acha que conhece o que é o amor”, considera, acariciando a barriga que ainda guarda seu pequeno tesouro. “É uma pessoa que eu não conheço ainda, que eu nunca vi, mas é um amor tão grande, mas tão grande que a gente nunca imagina que possa existir”.
Vencido o susto inicial da descoberta, as preocupações naturais com a saúde e o desenvolvimento do bebê e os preparativos para a sua vinda ao mundo, a expectativa pela chegada de Maria Eduarda é sentimento constante na vida de Fabiane há quase oito meses. Já tendo vivenciado muitos dias das mães desde o seu próprio nascimento, nenhum até hoje se comparou ao que experimenta hoje.
“Passo o dia inteiro vendo roupinhas, o tempo todo eu me pego imaginando com quem ela vai parecer... esse é um dia das mães especial, sem dúvida”, anseia, já afastada do trabalho à espera da hora certa para a chegada de Maria.
“Eu não imaginava que eu tava grávida. Descobri com quatro semanas e logo que a gente descobre leva um susto, dá um medo, preocupação de saber se está tudo bem, mas eu sempre quis ser mãe, sempre quis ter um filho. Nunca imaginei que eu poderia ser tão feliz como eu tenho sido nessas 34 semanas”.
Também estreante na alegria de ser a homenageada do dia das mães, a fotógrafa Carol Taveira não encontra palavras que consigam descrever com exatidão a emoção sentida a cada novidade proporcionada pela bebê em seu ventre.
Concentrada em curtir cada momento de ligação profunda com a filha Mariana, a ansiedade em conhecer as feições da primeira filha só não é maior que a alegria em poder curtir ao máximo cada momento da gravidez.
“Eu, na verdade, não quero que acabe a gravidez ainda, quero que ela dure o tempo que for necessário porque a sensação é incrível, até difícil de descrever”, avalia, diante da gestação que já chega aos sete meses. “A expectativa e mais para conhecer o rosto dela, saber se ela vai puxar os olhos verdes do pai, se vai ser mais gordinha ou mais magrinha...”.
Das emoções vivenciadas desde que a aventura de gerar um bebê teve início, Carol também não esquece a primeira vez que sentiu Mariana mexer. Sem nunca ter experimentado sensação parecida, de início, o primeiro movimento da primogênita foi seguido por um leve susto. Surpresa que logo se transformou em uma das emoções mais fortes já conhecidas.
“Eu estava sentada no sofá quando ela mexeu e de início eu pensei que tinha alguma coisa estranha. Minutos depois que eu percebi o que tinha acontecido e foi uma emoção muito grande”, recorda.
“Eu sinto essa emoção até hoje porque é fantástico. É um dos momentos mais magníficos, você saber que está carregando uma vida no ventre”.
Sem conseguir escapar das preocupações inerentes à quase todas as mães desde a gestação, Carol não tem dúvidas que nada é maior que a alegria de ser mãe.
“A minha vida, hoje, com certeza é totalmente diferente. Dizem que depois que a gente vira mãe, não tem mais paz porque se preocupa com tudo, fica sem dormir esperando que esteja tudo bem”, considera. “Mas eu nunca senti algo nem perto do que eu estou sentido hoje, nunca vivi nada nem parecido, nunca vivi alegria tão grande. Qualquer dia das mães agora vai ser especial desde que eu engravidei”.
(Diário do Pará)
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