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Por que o açúcar é tão mal falado?

O açúcar se tornou o vilão das dietas e da alimentação já que além de muitas vezes ser tratado como responsável pela obesidade, é possível encontrar inúmeras receitas e opções de regimes com a exclusão do açúcar. Segundo o sociólogo Raul Lody, antropólog

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O açúcar se tornou o vilão das dietas e da alimentação já que além de muitas vezes ser tratado como responsável pela obesidade, é possível encontrar inúmeras receitas e opções de regimes com a exclusão do açúcar.

Segundo o sociólogo Raul Lody, antropólogo e autor do livro “Caminhos do açúcar”, para entender o cenário da “vilanização” é preciso ter conhecimento da história cultural do ingrediente. “O açúcar surgiu há milhares de anos e passou a ser reconhecido no mercado na Idade Média, quando comerciantes árabes aproximaram o mundo oriental do ocidental no processo de trocas. O açúcar era uma especiaria, assim como o cravo e a canela. Tinha um preço elevado e, portanto, acessível apenas para os ricos. Na época, o produto era mais caro que a grama do ouro e considerado como um medicamento ou até presente, entregue para reis, papas e nobreza”, explica.

Porém, em paralelo, o sabor doce já era apreciado desde muito tempo. Aliás, era o sabor adocicado que ajudava as primeiras tribos de humanos a diferenciarem um alimento bom para consumo de um perigoso. Antes da expansão do açúcar, os pratos usavam o açúcar de beterraba e o mel de abelha. Foram os portugueses que abriram o mercado do ingrediente durante as Grandes Navegações com caminhos para o comércio entre os países. No Brasil, Portugal encontrou solo adequado para o grande plantio da cana-de-açúcar. Já na Revolução Industrial, surgiram novas necessidades para a indústria alimentar, consolidando milhares de receitas com o componente.

Já o endocrinologista Dr. Marcio Mancini alerta que alguns estudos tendem a distorcer algumas informações, o que causa interpretações exageradas - e apesar de ser o “mocinho” cultural, o ingrediente, tão estabelecido na dieta brasileira, tem sido citado como o “vilão” da saúde, colocado como principal causador de doenças, como a obesidade: "O açúcar como vilão é uma conclusão generalizada de dados e estudos individuais. Cada pesquisa tem um determinado viés, e nem sempre é ajustada a outros fatores que envolvem a saúde, como o estilo de vida de cada um.”, afirma o Dr. Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas.

Segundo ele, a ligação do açúcar com a obesidade e outros problemas de saúde é tênue e os dados limitados, e o que ocorre muitas vezes, é que estudos sofrem interpretações exageradas impondo conclusões não necessariamente corretas: "É preciso ingerir calorias com equilíbrio e sem exageros, não excluindo um determinado alimento. Muitas vezes, as pessoas que consomem açúcar ao extremo são as mesmas que comem mais gordura e fazem menos atividade física. Então, é complicado eleger um vilão, seja ele qual for”, diz.

O AÇÚCAR FAZ MAL?

Não, o açúcar não faz mal, desde que o seu consumo seja equilibrado. O ingrediente é a principal fonte de energia do cérebro e ativa o neurotransmissor serotonina, responsável pela sensação de prazer e bem-estar. “Esse ingrediente age no organismo como qualquer outro. Se você consumir o sal ou gorduras em excesso, não fará bem também”, explica Dr. Mancini.

Muito tem se falado sobre o açúcar como responsável pela obesidade. “É mito dizer que esse ingrediente é o culpado pela obesidade. Essa doença não pode ser incriminada isoladamente, pois é um problema com diferentes indícios. Pessoas com obesidade e até mesmo com diabetes não precisam eliminar totalmente o açúcar da sua alimentação. O imprescindível para esses casos é ingeri-lo com acompanhamento médico”, finaliza Dr. Mancini.

(com informações do portal Terra)

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