A divulgação dos dados de monitoramento de agrotóxicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), este mês, levantou perguntas sobre qual o real significado dos resultados e como o consumidor deve agir. Pela primeira vez, o relatório trouxe a avaliação do risco da ingestão de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Até os anos anteriores, a Anvisa divulgava as irregularidades encontradas, sem uma avaliação do risco que levasse em consideração outros fatores, como o padrão de consumo do alimento.
A nova metodologia adotada pela Anvisa é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e estima o risco do consumo de uma determinada quantidade de alimento que contenha resíduo de agrotóxico. Ou seja, ao invés de apenas contabilizar quantas amostras tinham irregularidades (uso não autorizado para a cultura, uso do agrotóxico acima da dose estabelecida na bula ou desrespeito ao período de carência entre o uso do agrotóxico e a colheita), o novo relatório apresenta a avaliação do risco agudo que considera o consumo de uma grande quantidade de determinado alimento contendo resíduo de agrotóxico em um período de 24 horas.
RISCOS
A intoxicação por agrotóxicos pode causar tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, tremores, irritações na pele, nariz, garganta e olhos; convulsões, desmaios, coma e até mesmo a morte. No geral, os resultados do monitoramento de 12 mil amostras apontaram para um quadro de segurança no consumo das frutas e verduras no Brasil.
AGROTÓXICOS
Os agrotóxicos podem ser classificados em sistêmicos ou de contato. Os sistêmicos atuam no interior das folhas e polpas, portanto penetrando nas mesmas. Já os de contato agem principalmente nas partes externas do vegetal, ainda que uma quantidade possa ser igualmente absorvida para as partes mais internas.
Assim, os procedimentos de lavagem dos alimentos em água corrente, bem como a retirada de cascas e folhas externas, contribuem para a redução dos resíduos de agrotóxicos presentes em seu exterior, porém são incapazes de eliminar aqueles contidos no interior do alimento. No box ao lado, separamos dicas para uma alimentação saudável, sem os riscos dos agrotóxicos.
CONFIRA 6 DICAS PARA MINIMIZAR A EXPOSIÇÃO AOS RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS NOS ALIMENTOS
- Dê preferência aos alimentos rotulados, é um sinal do comprometimento dos produtos com a qualidade do seu produto.
- Prefira os alimentos da época. Os produtos da época tem cultivo mais fácil e exigem menos produtos químicos para se desenvolverem.
- Lavar os alimentos em água corrente é importante para diminuir o nível de resíduos nas cascas de frutas e verduras.
- A imersão prévia dos alimentos por 20 minutos em água com hipoclorito de sódio (água sanitária) pode (e deve) ser feita, com a finalidade de diminuir a contaminação por germes e micróbios, devido a sua ação biocida.
- Consumir alimentos da sua região também é uma medida importante. Por causa da proximidade geográfica, este produtos, em geral, exigem o uso de menos produtos químicos para se manterem inteiros no transporte e na gôndola.
- Se possível, dê preferência aos produtos orgânicos ou da agroecologia.
(A OMS recomenda a ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas de frutas e hortaliças, o que equivale ao consumo diário de cinco porções desses alimentos. No grupo, estão incluídas hortaliças cruas ou cozidas e frutas ou suco de frutas).
Fonte: Blog da Saúde e Portal da Anvisa.
(Diário do Pará)
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