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NOVA OFENSIVA

Trump fala em ataques terrestres contra cartéis mexicanos

Presidente dos EUA cita cartéis de drogas, soberania mexicana e operações militares após ofensivas no mar do Caribe e captura de Nícolas Maduro.

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Imagem ilustrativa da notícia Trump fala em ataques terrestres contra cartéis mexicanos camera Declarações de Trump reacendem tensão diplomática, enquanto o México rejeita qualquer intervenção e defende sua soberania. | Reprodução/Daniel Torok/Casa Branca

Em tempos de instabilidade geopolítica, discursos inflamados costumam funcionar como termômetro das relações internacionais. Quando potências falam em "ataques", "controle" e "intervenção", o que está em jogo vai além da retórica: são fronteiras, soberanias e equilíbrios regionais que passam a ser testados diante da opinião pública global.

Foi nesse tom que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última quinta-feira (9) que ataques terrestres contra cartéis de drogas no México estão cada vez mais próximos. A declaração foi feita em entrevista à Fox News, após meses de operações militares norte-americanas no Pacífico e no Caribe e poucos dias depois da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas.

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"Vamos começar agora a atacar por terra os cartéis. Eles estão controlando o México. Estão matando 250, 300 mil pessoas no nosso país todos os anos", disse Trump, sem apresentar dados que sustentem os números citados. Segundo o presidente, Washington já classificou diversos cartéis mexicanos como organizações terroristas, o que abriria margem legal para ações militares diretas fora do território americano.

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A possibilidade de incursões em solo mexicano, no entanto, é rejeitada de forma categórica pelo governo do México. A presidente Claudia Sheinbaum voltou a defender o respeito à soberania nacional e afirmou que o país não aceitará intervenções externas. "O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem", declarou nesta semana, reforçando que a América "não pertence a uma doutrina nem a uma potência".

INTERVENÇÕES "NUNCA TROUXERAM DEMOCRACIA"

Trump afirmou ainda que chegou a questionar diretamente Sheinbaum sobre a necessidade de ajuda das Forças Armadas dos EUA no combate aos cartéis. Segundo ele, o México "precisa se organizar". Apesar da retórica dura, autoridades mexicanas reconhecem que existe cooperação com os Estados Unidos em áreas como inteligência, migração ilegal e comércio, mas rejeitam qualquer ação militar unilateral.

A tensão ocorre em um contexto sensível, já que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do México, e os dois países compartilham uma fronteira de mais de 3 mil quilômetros. Para Sheinbaum, intervenções desse tipo "nunca trouxeram democracia" nem geraram estabilidade duradoura em outros países.

RESPOSTA DIPLOMÁTICA

A presidente mexicana também articulou uma resposta diplomática mais ampla. Nos últimos dias, ela conversou com líderes como Gustavo Petro, da Colômbia, e Pedro Sánchez, da Espanha, para coordenar um comunicado conjunto que rejeita "qualquer tentativa de controle" sobre a Venezuela. Brasil, Chile e Uruguai também aderiram à manifestação.

Nesse movimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Sheinbaum e para outros líderes internacionais, como Gustavo Petro e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O grupo repudiou a ofensiva dos EUA em território venezuelano e classificou a ação como um "precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais".

A QUESTÃO VENEZUELANA

A escalada começou no último sábado (3), quando forças americanas realizaram uma operação em Caracas que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Explosões e sobrevoos militares foram registrados na capital e em outros estados venezuelanos. Segundo o governo local, cerca de cem pessoas foram mortas durante a ofensiva.

Maduro e Cilia foram levados a Nova York e apresentados à Justiça dos EUA, onde se declararam inocentes. Uma nova audiência foi marcada para 17 de março, mas, de acordo com o The New York Times, o julgamento pode levar mais de um ano, devido ao caráter complexo e atípico do caso.

DISCURSO BELIGERANTE

Além do presidente venezuelano, outras quatro figuras de alto escalão foram acusadas: Nicolás Maduro Guerra, filho de Maduro; Diosdado Cabello, ministro do Interior; Ramón Rodríguez Chacín, ex-ministro da mesma pasta; e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, apontado como líder do grupo criminoso Tren de Aragua. Eles respondem por acusações que incluem conspiração narcoterrorista, tráfico internacional de cocaína e posse de armamento pesado.

Enquanto Trump amplia o discurso beligerante contra cartéis e governos latino-americanos, líderes da região reforçam a defesa da soberania e alertam para os riscos de uma nova escalada militar no continente. O cenário indica que, mais do que uma ofensiva contra o crime organizado, a retórica americana reabre um debate antigo sobre poder, limites e intervenção nas Américas.

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