Um estágio superior descartado de um foguete Falcon 9, da SpaceX, teria colidido com a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (5), em um evento que pode representar uma rara oportunidade para a ciência. O impacto ocorreu nas proximidades da cratera Einstein, um dos maiores acidentes geográficos do satélite natural, e deve fornecer informações valiosas sobre a formação de crateras e o comportamento do solo lunar.
Embora o choque não tenha sido observado em tempo real devido à distância e às condições de iluminação, astrônomos e observatórios de diversos países já analisam imagens e dados que poderão confirmar os efeitos da colisão.
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O equipamento envolvido no impacto era o estágio superior de um foguete Falcon 9 lançado da Flórida, em janeiro de 2025, para transportar dois módulos lunares. Após cumprir sua função de impulsionar a carga em direção à Lua, essa parte do veículo foi descartada e permaneceu vagando pelo espaço.
Com cerca de 14 metros de comprimento, peso estimado em quatro toneladas e dimensões equivalentes às de um prédio de cinco andares, o estágio seguiu por aproximadamente 18 meses em uma órbita instável entre a Terra e a Lua.
Nesse período, a ação conjunta da gravidade da Terra, da Lua e do Sol, além da pressão exercida pela luz solar, alterou lentamente sua trajetória até colocá-lo em rota de colisão com o satélite natural.
Os cálculos realizados por astrônomos indicam que o impacto ocorreu a cerca de 8.700 km/h, próximo das 2h35 (horário de Brasília).
Colisão dificilmente seria vista da Terra
Apesar da alta velocidade, especialistas afirmam que o clarão provocado pelo choque foi fraco demais para ser percebido, mesmo por telescópios modernos. Astrônomos amadores teriam poucas chances de registrar o momento da colisão, embora exista a possibilidade de alguns equipamentos terem captado uma nuvem de poeira se espalhando por dezenas de quilômetros sobre a superfície lunar.
Nenhuma espaçonave em órbita da Lua estava posicionada para registrar o impacto no instante em que ele aconteceu.
A sonda sul-coreana Danuri passou pela região pouco antes da colisão. Sua equipe informou que eventuais imagens somente serão divulgadas após a conclusão das análises científicas.
Já a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da Nasa, deverá sobrevoar a área nos próximos dias, permitindo comparar fotografias anteriores e posteriores ao impacto para identificar a nova cratera.
Experimento raro para a ciência
Para os pesquisadores, o episódio representa um experimento praticamente único. Como já eram conhecidos o tamanho do objeto, sua massa, velocidade e o ponto previsto de impacto, os cientistas poderão comparar os resultados reais com modelos teóricos utilizados para estudar colisões em superfícies planetárias.
As análises devem ajudar a entender como crateras são formadas, a quantidade de material ejetado após um impacto e a intensidade das vibrações transmitidas pelo interior da Lua.
Essas informações poderão contribuir diretamente para o desenvolvimento de futuras missões tripuladas e robóticas, auxiliando no projeto de módulos de pouso, equipamentos e bases lunares mais resistentes aos efeitos provocados por impactos de meteoritos e detritos espaciais.
Além disso, o material exposto pela colisão pode revelar novas características da composição geológica da Lua, ampliando o conhecimento sobre a formação do sistema Terra-Lua, ocorrida há cerca de 4,5 bilhões de anos.
Impactos de objetos humanos na Lua não são inéditos
Apesar da repercussão, esta não é a primeira vez que um objeto construído pelo homem atinge a Lua. Desde 1959, dezenas de espaçonaves e estágios de foguetes colidiram com a superfície lunar, tanto de forma acidental quanto proposital.
A primeira missão a alcançar a Lua foi a sonda soviética Luna 2, seguida pelas sondas Ranger, da Nasa, por componentes do programa Apollo e, mais recentemente, pela missão LCROSS, lançada em 2009 para investigar a presença de gelo de água em crateras permanentemente sombreadas.
O caso mais recente de impacto acidental confirmado ocorreu em 2022, quando um propulsor associado a uma missão lunar chinesa atingiu a superfície.
O novo episódio também chama atenção para o crescente acúmulo de lixo espacial em órbitas próximas à Terra e à Lua, reforçando os desafios relacionados ao monitoramento e ao destino final de equipamentos utilizados em missões espaciais.
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