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Nepal encerra buscas por mais de 5 mil desaparecidos após enchente

Governo do Nepal encerra operação de busca por vítimas da enchente de 26 de agosto e concentra esforços na recuperação das áreas destruídas e da infraestrutura.

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Imagem ilustrativa da notícia Nepal encerra buscas por mais de 5 mil desaparecidos após enchente camera O Nepal encerrou as buscas por vítimas da enchente de 26 de agosto, que deixou ao menos 1.455 mortos e 5.285 desaparecidos. | Reprodução/Instagram/@nepaliarmyhq

O Nepal encerrou as buscas por vítimas da enchente de 26 de agosto, desastre que deixou pelo menos 1.455 mortos e 5.285 desaparecidos, segundo as autoridades. Com milhares de pessoas ainda sem localização, o governo decidiu direcionar os esforços para a recuperação das áreas atingidas e a reconstrução de estradas e pontes destruídas pela força das águas.

A decisão ocorre enquanto comunidades remotas continuam isoladas em razão dos danos provocados à infraestrutura. O cenário dificulta a chegada de alimentos, medicamentos e outros itens de emergência às regiões mais afetadas pela enchente.

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RECONSTRUÇÃO DEVE CUSTAR US$ 4,77 BILHÕES

O governo nepalês estima que serão necessários US$ 4,77 bilhões para reconstruir as áreas devastadas e recuperar a infraestrutura destruída pelo desastre.

Ao todo, cerca de 33 mil pessoas foram afetadas pela enchente. Aproximadamente 7.500 casas foram danificadas ou completamente destruídas, ampliando o impacto social e econômico provocado pelas inundações.

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Estradas e pontes estão entre as estruturas mais prejudicadas. A destruição desses acessos mantém comunidades inteiras isoladas e representa um dos principais desafios para a etapa de recuperação.

RESGATES MANTIVERAM ESPERANÇA ATÉ SETEMBRO

Mesmo depois de vários dias de buscas, as equipes de resgate ainda tiveram momentos de esperança. No início de setembro, três pessoas foram encontradas vivas dentro de um túnel subterrâneo no projeto hidrelétrico de Trishuli. Dois trabalhadores nepaleses foram resgatados no local em 4 de setembro.

Dois dias depois, em 6 de setembro, um trabalhador chinês também foi localizado e retirado com vida do mesmo projeto. Os resgates reacenderam temporariamente a expectativa de que outras vítimas ainda pudessem ser encontradas com vida, mesmo após semanas do desastre.

FAMÍLIAS CONTESTAM ENCERRAMENTO DAS BUSCAS

A decisão do governo, porém, não foi aceita por todos os familiares das pessoas que continuam desaparecidas. Usha Khatri, que procura o marido em diferentes cidades por onde passa o rio atingido pela enchente, criticou o fim das operações. Segundo ela, o governo deveria continuar procurando os desaparecidos.

"Estou muito irritada com o governo por desistir das buscas e do resgate com milhares de pessoas ainda desaparecidas", afirmou.

Khatri também questiona a possibilidade de considerar o marido morto sem que o corpo seja localizado. Ela afirma que as autoridades deveriam apresentar provas da morte ou entregar o corpo à família antes de formalizar a declaração.

Durante a procura, ela chegou a consultar fotografias de corpos recuperados pelas equipes e posteriormente enterrados de forma temporária, enquanto aguardavam identificação.

FUNERAIS SIMBÓLICOS SÃO REALIZADOS

Diante da ausência de notícias e da dificuldade de localizar os corpos, algumas famílias começaram a realizar funerais simbólicos para os parentes desaparecidos.

A prática tem um significado particular em uma sociedade majoritariamente hindu. A cremação representa um importante rito de despedida e, para algumas famílias, realizar a cerimônia mesmo sem o corpo é uma maneira de proporcionar uma despedida espiritual aos mortos.

A falta de identificação e recuperação dos corpos, entretanto, mantém muitas famílias em uma situação de incerteza, sem a possibilidade de realizar os rituais funerários tradicionais.

"POUCA OU NENHUMA ESPERANÇA"

Entre os familiares que já perderam a esperança de encontrar sobreviventes está Nirajan Poudel. Ele perdeu cinco parentes durante a enchente e afirma que, depois de tantas semanas, considera remota a possibilidade de algum deles ainda estar vivo.

"Depois de tantos dias e semanas, há pouca ou nenhuma esperança de encontrar alguém vivo", disse.

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