Nos próximos três meses, o El Niño pode ganhar ainda mais intensidade e atingir o nível de pico. A previsão é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que aponta condições favoráveis ao fortalecimento do fenômeno, com potencial para alterar os padrões climáticos em diversas partes do mundo.
Segundo a atualização divulgada em outubro, há 80% de probabilidade de o episódio permanecer pelo menos forte entre janeiro e março de 2027. Ainda de acordo com os modelos climáticos da agência, o período de maior intensidade deve ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, quando o índice Niño 3.4, usado para monitorar o aquecimento do Pacífico Equatorial, poderá ficar entre 3°C e 3,5°C acima da média.
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Em algumas áreas do oceano, as temperaturas da superfície já apresentam anomalias superiores a 4°C. Embora a NOAA não determine um mês exato para o pico, o cenário aponta para um episódio de intensidade muito elevada.
Além disso, a previsão indica que o fenômeno poderá continuar ativo entre março e maio de 2027, com possibilidade de enfraquecimento gradual. Já entre maio e julho, as condições neutras devem se tornar mais prováveis, sinalizando um possível fim do episódio.
Os modelos também apontaram a possibilidade de formação de uma La Niña, caracterizado pelo resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, no outono de 2027 do Hemisfério Norte, período correspondente à primavera no Brasil. De acordo com os especialistas, assim como o El Ninõ, o evento atmosférico também pode provocar mudanças nos padrões climáticos globais.
Ainda na atualização do mês de outubro, a NOAA identificou mudanças atmosféricas favoráveis ao aquecimento, entre elas o enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste no Pacífico tropical.
Quais são os possíveis efeitos do El Ninõ mais forte no Brasil?
De acordo com os meteorologistas, o fortalecimento do El Niño nos próximos meses pode modificar a distribuição das chuvas e influenciar ainda mais temperaturas no território brasileiro. Historicamente, o fenômeno está associado a volumes de chuva acima da média na Região Sul, sobretudo durante a primavera.
Já no Norte e em partes do Nordeste, ele pode favorecer períodos mais secos. Neste mês de outubro, o Governo do Pará decretou alerta climático e ambiental preventivo por 180 dias, após os efeitos do El Niño terem entrado em patamar crítico, com secas extremas, calor recorde e muitos registros de queimadas. O estado enfrenta um evento de intensidade severa, classificado como Super El Niño.
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Contudo, os especialistas reforçam que os efeitos variam conforme a época do ano e a atuação de outros sistemas atmosféricos. Por isso, a intensificação do fenômeno não significa, necessariamente, que todas as regiões enfrentarão eventos climáticos extremos.
Além disso, segundo a NOAA, as projeções ainda podem mudar conforme a evolução das temperaturas do oceano e das condições atmosféricas nos próximos meses. O acompanhamento dessas variáveis será importante para confirmar a intensidade máxima do El Niño e os possíveis impactos climáticos.
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