O Egito vive desde 25 de janeiro a maior onda de manifestações da sua história. A população exige a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos com apoio do partido PND (Partido Nacional Democrático), o maior do país.
A mobilização é inspirada na "Revolução do Jasmim", movimento que derrubou em janeiro Zine El Abidine Ben Ali, que comandava a Tunísia havia 23 anos. Outras nações do norte da África, como Mauritânia, Argélia, Sudão, Iêmen, Omã e Jordânia também têm levantes semelhantes.
Sob o nome de "Movimento 6 de Abril", a oposição egípcia promoveu uma escalada nos protestos, combatidos com violência pelo governo. Eles também estão insatisfeitos com a situação econômica do país e com o alto índice de desemprego. O número de mortos até o momento é incerto, mas emissoras como a árabe Al-Jazeera, banida do Egito, falam em 150 óbitos.
O número de presos passou dos 700 antes de as cadeias entrarem em colapso e fugas em massa ocorrerem. Existe a suspeita de que as forças de repressão tenham permitido a saída dos presos para justificarem ações mais duras. Desde então, além dos protestos, há registros de furtos em diferentes partes de Suez, Alexandria e da capital Cairo, as maiores cidades do país, todas com toque de recolher desde 28 de janeiro. A população se armou para defender prédios e casas.
Os protestos eram programados pela internet em sites como o Twitter e Facebook, porém a internet sofreu cortes no país. O governo diz não ter havido interferência, mas as mensagens curtas (SMS) entre celulares também foram bloqueadas.
Oposição fragmentada
Fazem parte do movimento oposicionista a Mubarak diferentes grupos, entre eles a Irmandade Muçulmana, facção radical que inspirou o grupo Hamas, da Palestina, e a revolução iraniana, que substituiu uma ditadura por outra, de cunho religioso.
Também lidera os protestos o ex-chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei. Ele foi escolhido para negociar com o governo e se ofereceu para comandar um governo de transição. O ativista fez crítica ao posicionamento dos Estados Unidos, que prega a democracia na região, mas apoia o regime de Mubarak.
Reação governamental
Mubarak anunciou mudanças na esperança de conter os protestos. Os ministros renunciaram, mas isso não aplacou a insatisfação popular. O presidente então decidiu cercar-se de militares para garantir sua lealdade.
Empossou como vice-presidente o ex-chefe do serviço de Inteligência, Omar Suleiman. Outro militar, Ahmad Shafic, ex-comandante da Força Aérea, foi nomeado primeiro-ministro.
Repercussão internacional
Por causa da importância estratégica do Egito e seu papel de interlocutor no conflito Israel-Palestina, países ocidentais são cautelosos nas críticas a Mubarak. Há o temor de que a presença da Irmandade Muçulmana nos protestos gere uma ditadura religiosa como a do Irã.
Israel, preocupada com o surgimento de uma nação hostil onde antes havia um aliado, pediu aos Estados Unidos e Europa que apoiem Mubarak para que a estabilidade na região seja mantida. Após a escalada da violência, os americanos aumentaram o tom das críticas e chegaram a pedir mudanças profundas no governo egípcio. Hillary Clinton, chefe da diplomacia, negou que as alterações propostas pela ditadura no Egito sejam suficientes. Apesar disso, a ajuda financeira ao país, cerca de 1,3 bilhões de dólares, está mantida.
Países como Japão, Canadá e Estados Unidos estão se mobilizando para retirar seus cidadãos da área de conflito. Os chineses bloquearam buscas pelo termo “Egito” na internet.
(eBand)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar