Cientistas estão conseguindo cada vez mais sucesso em criar embriões de um animal híbrido, com genes de humanos e porcos. O objetivo dos homens da ciência é fazer crescer órgãos humanos em animais para serem usados em transplantes e testes.
A criação deste ser mutante é tida pela comunidade científica como um grande passo na produção de órgãos humanos, saudáveis e compatíveis com os pacientes.
"O principal objetivo é criar tecidos ou órgãos funcionais e que possam ser transplantados, mas ainda estamos longe disso. É um importante primeiro passo", disse Juan Carlos Izpisua Belmonte, investigador do Instituto Salt para Estudos Biológicos, na Califórnia. Estes órgãos poderiam ser usados ainda para testar medicamentos e tratamentos em segurança.
Para isso, os cientistas colocaram células estaminais de humanos em embriões de porcos. Daí resultaram dois mil híbridos que foram implantados nos suínos. Desenvolveram-se mais de 150 embriões que eram maioritariamente porco e tinham cerca de 10 mil células humanas, segundo um artigo na revista científica Cell.
Este estudo reacendeu as discussões éticas e os receios sobre os animais híbridos, com várias pessoas a questionarem se estes seres terão aparência humana ou se terão as capacidades intelectuais dos homens. Alguns apontam ainda o risco de surgirem animais inteligentes que consigam escapar dos laboratórios.
Belmonte afirma que estas questões são motivadas por mitos e defende que todas as experiências são realizadas em locais meticulosamente controlados.
A equipa espera no futuro conseguir desativar certos genes dos porcos para conseguir órgãos com tecido celular totalmente humano. Desta forma, os cientistas poderiam também fazer o contrário e, por exemplo, garantir que o cérebro da quimera não tem células humanas.
"Não vimos nenhuma célula humana na região do cérebro, mas não podemos excluir a possibilidade de algumas terem ido para o cérebro", afirmou Belmonte, acrescentando que neste estudo a inteligência da quimera não foi uma preocupação pois elas foram destruídas com 28 dias.
(Com informações de The Guardian)
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