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Em preto e branco, a magia dos bailes

As aparelhagens que hoje incendeiam as festas de tecnomelody já animavam as noites de Belém desde a época dos nossos avós.

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As aparelhagens que hoje incendeiam as festas de tecnomelody já animavam as noites de Belém desde a época dos nossos avós. Numa potência mais suave, as festas de salão tocavam as dores de cotovelo do brega desde 1950, quando casais deslizavam sobre o taco de madeira das antigas sedes sociais, ao som de canções interpretadas por Reginaldo Rossi, Adriano Cruz e Carlos André. E a história de uma das aparelhagens pioneiras dedicadas aos hits românticos, poeticamente batizada de “Sonoro Diamante Negro”, será lançada hoje em livro homônimo assinado pela jornalista e fotógrafa Suely Nascimento. Em endereço apropriado, a festa será realizada na sede do São Domingos Esporte Clube Recreativo e Beneficente, no bairro do Jurunas, em meio a um grande Baile da Saudade.
A publicação reúne retratos em preto e branco num registro de cinqüenta anos de história da aparelhagem, que percorria os quatro cantos da cidade sob comando de Sebastião Nascimento, pai da autora. Dividido em duas partes, o livro, em formato de LP, inicia no “Lado A” a viagem no tempo por imagens dos momentos áureos dos Bailes da Saudade. “Nas fotos produzidas durante as festas, pode-se apreciar os pares de dança, os sapatos brancos dos homens e o assoalho em madeira dos salões”, descreve Suely. “Toquei com cantores famosos como Jerry Adriani, Reginaldo Rossi, Beto Barbosa. Eles cantavam no microfone e o meu som funcionando. Eles no microfone da minha aparelhagem”, conta Sebastião.
Criada na periferia de Belém, no bairro da Marambaia, a aparelhagem surgiu com o nome “São Sebastião”, como era costume da época batizar os sonoros com nome de santo. Mas não demorou para as festas crescerem, e entrar em cena o “Diamante Negro”, que percorreu as noites da capital até 2004, quando foi vendido. “Era o sonoro mais antigo de Belém, em atividade. O diferencial era a qualidade do som, apreciada nas noites do Baile da Saudade, quando casais dançavam antigas canções que falam de dor de cotovelo, de tristeza, de amor...”, conta a fotógrafa.

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