Aumentou o número de pessoas adeptas do “Home Office”, ou seja, que trabalham em casa, no Estado do Pará entre 2017 e 2018. As informações estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual subiu de 5,7% para 7%. Mas a maioria dos trabalhadores ainda realiza atividades no próprio estabelecimento: 49%.
Há cerca de quatro anos, o consultor de marketing digital Alexandre Modesto fechou a agência na qual chegou a ter 12 funcionários contratados. À época, o mercado de estratégia digital para redes sociais estava começando e ele optou por empreender, oferecendo também cursos e treinamentos on-line, além da consultoria.
Os custos altos e fixos para manter o negócio lhe fizeram repensar o modelo de trabalho. Hoje em dia, ele se reveza visitando clientes e produzindo na sala do apartamento onde montou até um estúdio de gravação. “Acabava que com a agência eu trabalhava de 7h até 0h. Escolhi o home office para poder participar mais da vida familiar”, relata.
“Até o atendimento aos meus clientes, na maioria das vezes, eu faço via vídeo, via chamada, assim como os treinamentos. Faço, envio e cobro. Estou em um processo de pensar em constituir família. Não quero chegar em casa com meu filho dormindo e sair antes de ele acordar”, explica Alexandre.
O fato de ter fechado a empresa física não interferiu na terceirização de algumas atividades. “Eu contrato muitos profissionais, daqui e de outros estados, mas como freelancer. O que eu considero muito bom, ainda mais nesse momento que o país vive”, avalia. “Sem contar que as pessoas trabalham de forma mais livre e trabalham melhor, cumprem os prazos. Mas é uma rotina que exige muita disciplina, metas diárias, organização inclusive financeira”, aconselha o profissional, que se diz um “evangelizador” do home office. “É um estilo de vida, você aprende a usar melhor o tempo. Aquela uma, duas horas no trânsito, você usa para trabalhar ou para cuidar de algo pessoal. Sem contar que é mais barato e confortável”, defende.
ECONOMIA

Também da área do Marketing Digital, Lorena Barracas trabalha ainda com consultoria de marcas e se diz apaixonada pela rotina que escolheu. Com uma jornada que dura praticamente o dia inteiro, e atendendo clientes inclusive de outros países, ela na verdade batalha para manter um padrão de oito horas diárias. “Trabalhar em casa foi uma escolha para poder ter mais flexibilidade de tempo e espaço. Preciso de internet para trabalhar, o que facilita quando preciso viajar e me permite atender pessoas de outras localidades, mas também é um desafio. Quando faço viagens a lazer, preciso me policiar para não passar folgas trabalhando”, detalha.
Os custos reduzidos também foram decisivos para Lorena. E ela também confirma que é preciso uma concentração ainda maior para não perder o fio da meada e cumprir as tarefas. “Quando tem outras pessoas em volta preciso que entendam que não é porque estou em casa que estou livre para fazer qualquer coisa que não seja meu trabalho”, justifica. A economia, a possibilidade de não precisar recorrer a restaurantes ou quentinhas e não estar sempre arrumada e maquiada são grandes vantagens para Lorena. “Só preciso fazer essas coisas quando tenho reuniões com clientes. A parte chata é não ter alguém para compartilhar os assuntos do cotidiano e alguém que te ajude também a ter ideias a partir das trocas que um escritório permite, e principalmente um espaço coletivo proporcionam”, pondera.

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