As medidas de prevenção contra o novo coronavírus têm mudado o comportamento e as relações de trabalho também no Ver-o-Peso, em Belém. Apesar da restrição de funcionamento em alguns setores, como o das boieiras, que, por enquanto, só podem vender refeições para delivery ou pronta entrega e isso até às 15h, o Ver-o-Peso está em plena atividade 24 horas por dia.
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É de lá que vem o abastecimento das principais feiras dos bairros e também alguns mercados de Belém. O fluxo de carregadores, comerciantes e fornecedores caminhando de um lado para outro não para e tem momentos em que as aglomerações são inevitáveis. E no meio disso tudo quem se destaca são aqueles que estão equipados com produtos de segurança, como máscaras e luvas.
A rotina está mudando no Ver-o-Peso, principalmente na área da pedra, onde aportam as embarcações que trazem o pescado que vai ser comercializado e consumido na Região Metropolitana de Belém. Nestes barcos estão grupos de pescadores que chegam de várias regiões. O primeiro contato deles, por aqui é com os balanceiros, que são aqueles trabalhadores que pesam os peixes que estão armazenados e dão início ao processo de venda e distribuição do alimento.

Na madrugada de sábado (4), cerca de 90% dos balanceiros estavam trabalhando com luvas e usando máscaras. Júnior Pompeu era um dos que estavam com os equipamentos de segurança. “Lidamos com diversos públicos e estamos preocupados. O nosso serviço é essencial e não podemos parar”, disse o balanceiro.
O pescador Luiz Gomes, 32, é natural de Parintins (AM). Está há uma semana no Ver-o-Peso junto com os demais colegas de trabalho. Nenhum deles apresenta sintoma de qualquer doença. “É uma preocupação geral por conta dessa pandemia. Graças a Deus todos aqui estamos bem, mas temos que nos cuidar. A gente evita estar na aglomeração. Esse horário da madrugada é muita gente circulando por aqui. A gente trabalha com precaução”, frisou. Na embarcação dele não foi possível ver álcool em gel, mas havia uma boa quantidade de sabão no lavabo.
Alguns carregadores pediam para serem fotografados pela reportagem mostrando que estão usando luvas e máscaras. No caso deles, a luva também é importante por causa do contato direto que têm com vários tipos de objetos, como caixas, isopor e baldes. A maioria dos consumidores que transitavam de máscara neste dia era mulher.
FEIRA DO AÇAÍ
Antes do movimento se intensificar na pedra do Ver-o-Peso, um outro setor do complexo já concentrava um grande número de trabalhadores e consumidores. Na feira do açaí, a movimentação começa no final da noite e nas primeiras horas da madrugada. Embarcações chegadas da região das ilhas de Belém e municípios próximos trazem o açaí.
Mas, entre barqueiros, produtores, consumidores e carregadores, poucos estavam usando máscaras. O produtor Miguel Barbosa, 51, mora na ilha das Onças, usava a máscara e destacou que protegia ele e os amigos. “A gente tem que se prevenir. O assunto é sério e já que a gente não pode deixar de trabalhar, que façamos isso tomando os cuidados que os órgãos de saúde recomendam”, pontuou. Ele disse que tem procurado se informar ao máximo sobre a pandemia. “Temos que saber com o que estamos lidando. Prevenção é o único remédio até agora”.
O vendedor Alcides Ribeiro acredita que muitas pessoas não estão usando máscaras na feira do açaí por causa da escassez do produto nas lojas. “Essa daqui comprei por 10 reais, nem todo mundo tem condições de comprar”.

Veja bairros com maior aglomeração
A Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) divulgou, no sábado (4), dados referentes a taxa de distanciamento social da população paraense. Por meio da Secretaria de Inteligência e Análise Criminal (Siac), que computa as informações através do software da empresa In Loco, mais de 50% da população concentrada na Região Metropolitana de Belém mantém o distanciamento social em combate ao novo coronavírus.
Municípios que integram a região metropolitana “conseguem manter o nível de taxa de distanciamento acima de 50%, alcançando uma média de 58,78%, nos sinalizando que a maioria da população consegue se manter na sua residência ao longo do dia. Em Belém, por sua vez, a taxa é de 52,8% em razão da sua própria dinâmica social”, diz o secretário adjunto de Inteligência, André Costa.
Segundo os dados, os dez bairros da Região Metropolitana de Belém que apresentaram maior registro de aglomeração, na sexta-feira (3) foram: Maracacuera (27,6%), Campina (28,8%), Pratinha (36,2%), Cidade Velha (36,7%) e Aeroporto (41,9%). Nos distritos de Mosqueiro e Icoaraci, os que registraram menor índice de aderência ao cumprimento das medidas foram os do Maracajá (32,1%), Chapéu Virado (33,3%), Murubira (37,5%), São João do Outeiro (40%) e Parque Guajará (41,7%).
“Em algumas localidades acontecem uma concentração maior de pessoas, como no bairro da Pratinha e no Ver-o-Peso. Nesses locais, especialmente pelo período da noite, pessoas se deslocam para fazer compras de alimentos e negociações depescado ”, afirma.
“Somos o primeiro estado do Brasil a utilizar essa tecnologia que nos permite a localização e referência do ranking de distanciamento social”, diz Ualame Machado, secretário deSegurança Pública.
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