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Por coronavírus, Dia do Trabalhador foi de ruas vazias na capital

Quando a insatisfação com as duras jornadas de trabalho eclodiu nos Estados Unidos, a intenção da classe trabalhadora era atenuar a massacrante jornada de 13 horas por dia, recompensada com baixos salários e exploração sub-humana. Assim, no dia 1º de maio

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Imagem ilustrativa da notícia Por coronavírus, Dia do Trabalhador foi de ruas vazias na capital camera "Aqui sempre tem movimento, mas com essa pandemia ninguém sai de casa. A gente sai porque precisa trabalhar”, Daniel Brito, ambulante | Irene Almeida

Quando a insatisfação com as duras jornadas de trabalho eclodiu nos Estados Unidos, a intenção da classe trabalhadora era atenuar a massacrante jornada de 13 horas por dia, recompensada com baixos salários e exploração sub-humana. Assim, no dia 1º de maio de 1886, teve início a série de protestos e manifestações que viria futuramente marcar a data como um dia de luta, da consolidação da voz trabalhadora mundo afora, inclusive no Brasil, onde o feriado do trabalhador virou sinônimo de passeatas e manifestações. Pelo menos até o ano passado foi assim.

Um ano depois a voz calou. Bandeiras, microfones e trios silenciaram. Desde a descoberta do coronavírus e as medidas de isolamento social, qualquer data comemorativa, por mais importante que seja, se rende ao perigo invisível da Covid-19. Em pleno curso do distanciamento social, o que se viu na manhã desta sexta-feira, em Belém, foi a síntese do medo: ruas e praças vazias. Nos pontos de reunião tradicionais do feriado, ninguém se atreve a contar, ou pelo menos repetir a história.

No dia 1º de maio de 2019, entidades sindicais, trabalhadores informais e simpatizantes da causa ocuparam a frente do Mercado de São Brás, num ato em prol da classe trabalhadora. Um ano depois, nenhum sinal de aglomeração. Ano passado a escadinha do cais serviu, como em todos os anos, de marco inicial para as tradicionais passeatas. Neste, apenas alguns moradores de rua. Mais adiante, na Praça da República, o tradicional passeio foi cancelado. Funcionários da limpeza pública e guardas municipais compunham o triste cenário. Quem se arrisca a trabalhar, o faz por total necessidade.

QUEDA

É o caso do vendedor de coco Daniel Brito, 56 anos. Solitário, ele passa a maior parte do expediente a espera de clientes, que, além da sede, matam uma prosa, como forma de passar o tempo. “A gente fica por aqui, conversa e torce pra ter algo. Não está como eu gostaria, mas a gente não pode parar”, afirma. O autônomo sentiu a queda nas vendas. Nem a estratégica localização do empreendimento, ao lado do Theatro da Paz, surte o efeito esperado. “Aqui sempre tem movimento, mas com essa pandemia ninguém sai de casa. A gente sai porque precisa trabalhar”, garante.

Se nos locais de concentração tradicional não havia ninguém, nos terminais a situação era ainda pior. No hidroviário, portões fechados. Na Praça do Operário, as linhas que operam para a ilha de Mosqueiro saem vazias. “A linha está funcionando normalmente, mas como não temos demanda, disponibilizamos os ônibus de 40 em 40 minutos, assim dá tempo de colocar mais gente”, explica o fiscal da empresa que detém a concessão do transporte rodoviário para a bucólica.

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