Quase um século de vida. E nesse tempo, a vitória mais recente foi contra a Covid-19. Depois de dar um susto na família com os sintomas da doença, dona Raimunda Ferreira Amorim, de 99 anos, foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em um hospital público de Belém. Atualmente em casa, ao lado de filhos, netos, e bisnetos, a idosa é só alegria e gratidão. “Eu fiquei doente, me tratei, mas graças a Deus eu venci! Estou sadia, estou boa”, conta alegre.
É com seu jeito manso, gentil, alegria no rosto e muito carinho, dona Raimunda recebe a todos que chegam para visitá-la. Com a equipe do DIÁRIO não foi diferente. Ela fez questão de compartilhar um pouco da experiência que teve com a doença. Dona Raimunda é hipertensa, diabética e já apresenta leves sinais de demência, mas quando se trata da própria história, ela pode ser considerada um exemplo, principalmente para as quatro gerações que ela vive. “Tenho dez filhos, todos criei ajudando meu marido no roçado e em casa. Agora netos são tantos que não consigo contar. Já tenho até tataranetos”, diz.
A visão é mínima e a audição está falha. Por precaução, familiares passaram a ajudá-la nos pequenos afazeres. Como é cercada por parentes que moram na mesma vila, no bairro da Pratinha, em Belém, ela nunca fica sozinha e isso a faz sentir amada. “Meus filhos todos me adoram, não me desprezam. Estão sempre aqui comigo. Vivem ao meu lado”, afirma.
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De acordo com a filha mais nova, Rosângela Tavares, de 59 anos, a mãe começou a demonstrar desânimo e moleza, principalmente depois que ela – filha – ficou afastada da casa da mãe porque estava doente. No início do mês de maio, Raimunda começou a ter febre e reclamar de dores no corpo e na cabeça. A nora de Rosângela, que é enfermeira, foi avaliar a idosa, foi então que desconfiou dos sintomas do novo coronavírus, já que Raimunda já sentia dificuldades para respirar.
Uma neta e outro parente da família levaram a idosa até o Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, no dia 15 de maio. Lá, ela foi submetida a exames. O teste específico da doença deu positivo e a tomografia mostrava que 50% dos pulmões de Raimunda estavam comprometidos. Ela foi levada às pressas para a UTI. “Na minha cabeça, ela ia entrar lá e não ia mais sair [viva]. Por causa da idade dela e das condições de saúde, permitiram que eu ficasse perto. Graças a Deus em dois dias de tratamento, ela já estava bem, pedia até para comer pupunha, rs. Não foi preciso ser entubada. Somente o respirador. Com sete dias ela veio pra casa para continuar o tratamento e hoje, já está bem”, comenta Flávia Amorim, neta.
EXEMPLO
Para a filha caçula, dona Raimunda representa o alicerce e exemplo para toda família. “Ela é uma experiência de vida muito boa para todos nós. A gente sempre celebra o aniversário e ela gosta demais, também é uma oportunidade para reunir a família. Nunca passou pela minha cabeça que eu iria perder a minha mãe. Ela é muito forte. Um exemplo mesmo”, acrescenta Rosângela.
Raimunda nasceu em uma colônia no município de Santa Maria do Pará. Morou em algumas cidades até chegar à capital paraense. É viúva há quase 40 anos. Ela lembra com carinho do marido, Raimundo. “Meu esposo era muito grato comigo. A gente não brigava, ele não me judiava, foi muito paciente comigo. Fomos duas pessoas obedientes, compreensivas, atendia um ao outro. Éramos um casal feliz”, recorda emocionada. Para os 100 anos que completa dia 30 de agosto, Raimunda deseja para si mesma, saúde e felicidade, esse ela já sabe o segredo. “Todos esses anos representam muita coisa pra mim. Minha saúde e alegria que Deus me deu, são as melhores coisas do mundo. Sou uma pessoa muito feliz. Tive coragem e força para viver. Portanto, hoje tenho a maior alegria porque estive doente, mas graças a Deus, estou bem. E se Ele quiser, vou fazer 100 anos. Espero saúde para continuar sendo feliz”, diz sorridente.
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