É da comunidade ribeirinha do rio Anapuzinho, em Igarapé-Miri, e de Abaetetuba que vêm os dois novos jovens premiados na 8ª edição do programa Campus Mobile, realizado pelo Instituto Claro. Maurício Pantoja, 24, e Rômulo Farias, 19, conquistaram o 1º lugar na categoria Smart Farms ao desenvolverem o aplicativo Farm.Go voltado para a divulgação e comercialização de produtos cultivados pela agricultura familiar na região de Abaetetuba, no nordeste paraense.
A plataforma foi elaborada em uma semana e testada durante dois meses. Os dois estudantes agora trabalham para ampliar a área de abrangência do aplicativo, levando para o alcance dos moradores de Belém interessados em produtos orgânicos. O trabalho competiu com mais de 90 projetos de todas as regiões do Brasil. O concurso é voltado para universitários e recém-formados que pesquisam e elaboram projetos que possam trazer benefícios para a sociedade por meio de aplicativos, produtos e serviços.
Os dois estudantes receberão R$ 6 mil em prêmio e uma viagem para o Vale do Sílicio, nos Estados Unidos, onde irão conhecer empresas das áreas de inovação e tecnologia. Na ocasião, poderão apresentar o aplicativo Farm.Go que criaram.
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Rômulo e Maurício são estudantes do Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Abaetetuba, e são acompanhados pelo Instituto Açaí, projeto desenvolvido pelo professor Gilberto Silva que estimula os jovens da região a desenvolverem projetos científicos e tecnológicos tendo como ponto de partida a vida e a cultura local. “A gente quer que eles (estudantes) aprendam processos. Que vejam coisas e comecem a pensar e a montar, criar”, disse o professor.
Maurício, que se formou recentemente em Ciências Biológicas, traz em seu currículo participações em feiras de ciências regionais e nacionais, mas foi a primeira vez que participou disputando uma premiação. “Nós estávamos em feira de ciências para universitários, em São Paulo, quando soubemos do evento e da competição”. Ele já sabia que iria precisar de um parceiro para trabalhar junto no projeto e convidou Rômulo, que estuda Informática.
FAMÍLIAS
Questionado sobre o motivo de ter escolhido trabalhar num projeto para a agricultura familiar, respondeu que pensou nas dificuldades das famílias, que trabalham com produtos orgânicos e enfrentam dificuldades para distribuir e comercializar seus alimentos. “Pensei na possibilidade das pessoas comprarem pela internet e receberem os produtos em casa, tudo isso por um serviço disponível por meio de um aplicativo”, explicou. “Procurei saber o que as pessoas querem, na verdade, e por quais meios. Tudo isso foi me ajudando a agregar valores que poderiam me fazer ajudar os menores agricultores”, disse Maurício.
Meta é ampliar o serviço
A cada nova ideia ele e Rômulo pensavam em como colocar isso na plataforma. Essa etapa já foi liderada pelo estudante de Informática. “A gente já está com o aplicativo pronto, mas pensamos também no público que não vai baixar a plataforma, mas vai querer o serviço. Estamos trabalhando agora na criação e montagem do Website Farm.Go”, comentou Rômulo. “A gente já vai estar com essa nossa plataforma (o site) disponível mês que vem”, projetou.
Durante as etapas de testes do aplicativo, os jovens selecionaram quatro famílias que abastecem a feira de Abaetetuba com produtos orgânicos. A área de abrangência da comercialização e entrega dos alimentos ainda está no limite da cidade, mas Maurício e Rômulo já planejam ampliar os serviços para a Região Metropolitana de Belém.
“Já no próximo semestre vamos atuar em Belém. As pessoas poderão fazer uma espécie de assinatura e dizer o que querem, que a gente montará a cesta e levará na casa delas ou no restaurante. Assim, a gente vai gerar renda também para quem trabalha com entrega. Claro que obedecendo critérios de higienização”, planeja Maurício, que já começou a estudar dois possíveis pontos de distribuição para os alimentos.
Agricultores
Aos 64 anos, a agricultora Maria Monteiro acompanha, da cozinha de casa, os filhos cuidando da manutenção da horta e das plantações de frutas no terreno da família e arrumando os produtos que vão abastecer parte da feira e do comércio de Abaetetuba. “Enquanto eles estão cuidando das sementes, folhas e na colheita, preparo as rasas (espécie de paneiro) para armazenar os alimentos”.

A família mora na vila rural de Tauerá e cultiva couve, cariru, cacau, milho, cupuaçu, cheiro-verde, açaí e outros alimentos. Tudo sem agrotóxicos ou qualquer outro produto químico. O filho mais velho de Maria, Amauri Monteiro, 34, afirmou que às vezes a família perde um dia inteiro fazendo a distribuição dos alimentos. “Com essa nova forma digital vamos chegar ainda mais longe. Isto vai ser bom, não ficaremos com alimentos armazenados e vamos ter mais tempo para o trabalho aqui no campo mesmo”. A fala dele se deu ao saber como funciona o Farm.Go.
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