Após um ano difícil por conta da pandemia da Covid-19 ainda presente em todo o mundo, muitas famílias em Belém passaram o novo ano reunidas em casa. Os principais pontos da capital paraense, antes tomados por milhares de pessoas, deram lugar ao vazio, ao silêncio, deixando um cenário de Réveillon irreconhecível. Autoridades públicas tomaram medidas sanitárias restritivas de proibição das tradicionais festas da virada, para evitar as aglomerações e a propagação do vírus.
A chegada de 2021 foi marcada pela união de famílias em vários bairros. Teve quem veio de longe só para não deixar de estar com quem se ama, como a dona de casa Jucileide Barros, de 56 anos, que mora no município de Augusto Corrêa e chegou em Belém para passar a chegada do ano novo ao lado das filhas, genros e os netos. “O amor pelos filhos, a vontade de estar juntos, é isso que conta. Apesar do medo que vivemos por conta da pandemia, mas viemos nos protegendo”, disse.

Nas últimas horas de 2020, foi uma das únicas famílias que esteve no Portal da Amazônia, tradicional ‘point’ nessa época que também ficou vazio. “Até está tranquilo. Mas, daqui a pouco vamos voltar para acasa da minha filha. Peço a Deus que possa exterminar o vírus do mundo. São muitas perdas, muito sofrimento que a gente vê. Na minha família, graças a Deus, não tivemos perdas, mas perdi amigos”, contou Jucileide.Outros locais que sempre reúnem bastante gente, como a Estação das Docas, ficaram fechados na virada de ano.

No bairro de Val-de-Cans, a operadora de caixa Márcia Almeida, de 48 anos, não deixou de receber os parentes para celebrar a chegada de 2021. Para ela, que perdeu amigos de trabalho por conta da Covid-19, Natal e Réveillon são momentos especiais e que devem ser comemorados, principalmente porque o ano que passou foi marcado pela alegria da chegada do primeiro neto, o Ícaro, agora com 3 meses.
“A gente sempre se reúne aqui em casa. Para mim, essas confraternizações são momentos muito importantes, representam a união da família. É hora de comemorar mais um ano de vida, ainda mais esse ano que foi tão complicado por causa dessa covid. Se chegamos até aqui temos que comemorar em dobro. Espero que esse ano de muita saúde, paz e vitórias, que venham muitas vidas, já chega de mortes”, comentou.

MÉDICA
Na casa da médica Déborah Crespo, de 56 anos, também teve confraternização com direito à ceia, brinde e família, mas sem aglomerações. A reunião foi restrita aos filhos, marido e pai, diferente dos anos anteriores, onde ela recebia dezenas de parentes e amigos para assistir, de camarote, à queima de fogos da sacada do prédio, no bairro da Cidade Velha. “A gente tem que entender que não é o momento de as pessoas liberarem. Estamos começando um ano novo, mas o vírus ainda está aí, sofrendo mutações e a gente reza para que a vacina seja realmente eficaz e possa chegar o mais breve possível para a população e de fato proteger”.
Além de uma vacina, a médica aposta em uma lição capaz de mudar o comportamento das pessoas. “Que sejamos menos egoístas. O sentimento é de gratidão por termos a nossa saúde, mas, acima de tudo, que as pessoas pensem um pouco mais nos outros. A gente espera que a população tenha uma grande lição a partir dessa experiência que vivemos: a importância do abraço, do beijo, esse calor nos faz muita falta. Que 2021 seja de muita paz, harmonia e trabalho”, disse.
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