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CIDADANIA

Arte nas ruas para despertar um olhar mais consciente

Grupo de amigos faz intervenções artísticas em bueiros do Reduto para chamar atenção sobre a importância de não se jogar lixo nesses locais, já que toda a cidade sofre com as consequências

sexta-feira, 15/01/2021, 09:10 - Atualizado em 15/01/2021, 09:10 - Autor: Alexandra Cavalcanti


Despertar a conscientização sobre o cuidar da cidade foi o ponto de partida para um grupo de amigos lançar um novo olhar sobre o bairro do Reduto, em Belém. E o começo não poderia ser mais inusitado: fazer intervenções artísticas em bueiros para chamar a atenção sobre a importância de não jogar lixo nesses locais, sob o risco de provocar entre outros problemas, alagamentos que se tornaram comuns na capital.

O grupo por enquanto é formado pela arquiteta Caroline Miranda, pela professora Lorena Soares, pela autônoma Liane Dias e pelo artista plástico Rabie Jouni, moradores do bairro ou que se relacionam de alguma forma com ele por meio de seus trabalhos. “Começamos meio por acaso. Temos uma amiga, a Luísa, que já era amiga em comum de alguns de nós. Ela mora em Belo Horizonte e é uma pessoa super engajada nessas questões e postou algumas intervenções feitas em bueiros de outras cidades. Gostamos da ideia e resolvemos começar aqui também”, conta Caroline, que também cultiva uma horta coletiva em um espaço antes abandonado e cheio de lixo, também no Reduto.

A professora Lorena, no entanto, ressalta que a ideia do grupo é bem mais ampla. “Acreditamos que é preciso conscientizar as pessoas sobre a questão dos espaços coletivos da cidade para que entendam que não são apenas responsabilidade dos governos, mas de todos os moradores da cidade”, afirma.

INTERVENÇÃO

A iniciativa tem chamado atenção de quem passa pela esquina da Travessa Rui Barbosa com a Avenida 28 de Setembro, onde estão localizados os dois primeiros bueiros a receber a intervenção do grupo. “Percebemos que as pessoas estão gostando e que isso está chamando atenção da vizinhança e de quem passa pelo local”, ressalta Liane.

Em um dos bueiros, desenhos de peixe e um muiraquitã estão circundando os dizeres “O rio Guamá começa aqui”. “Muitas pessoas estão criticando essa frase, mas o que estamos querendo dizer é que o lixo jogado no bueiro acaba indo parar nos rios”, explica a arquiteta.

No outro, um “splash” foi pintado e dentro dele está a inscrição “Não jogue lixo aqui”. “Mas infelizmente muito lixo ainda vem parar dentro dele, mas esperamos que possa haver uma maior conscientização com relação a isso daqui para frente”, acredita Lorena.

Compreender o cotidiano do bairro ajuda na inspiração

A concepção dos desenhos e a pintura foram feitas pelo grupo e com a colaboração certeira do artista plástico Rabie Jouni que, mesmo não sendo brasileiro e não falando português, já compreendeu o cotidiano da cidade que passa bem embaixo de sua janela no bairro do Reduto. “Pensamos em várias coisas, mas quando vimos, ele já tinha feito algumas coisas que ficaram muito legais e conseguiram chamar atenção de quem passar por aqui”,conta Caroline.

O trabalho do grupo ainda está no início mas pretende se estender em breve. “Já temos outra ação que deve ocorrer no próximo mês. Nossa ideia é fazer uma intervenção na esquina de um terreno (bem próxima aos bueiros) que vem sendo usada como descarte irregular de lixo. Ainda estamos elaborando o que será feito”,antecipa a arquiteta.

Pelo menos por enquanto todas as ações previstas serão feitas no bairro do Reduto. “Não temos como estar em todos os bairros, mas o nosso objetivo é que as pessoas tenham mais consciência para essa questão e possam também fazer isso em seus bairros, na sua rua, na esquina da sua casa. A ideia é que possam replicar essas ações nos espaços próximos a elas”, destaca Lorena.

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