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SAÚDE

Conheça as características do TDAH que costumam aparecer na infância 

Os primeiros sinais do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade costumam aparecer na infância, mas nem sempre são detectados nesse momento e acabam só sendo percebidos na adolescência ou na fase adulta

domingo, 21/02/2021, 07:51 - Atualizado em 21/02/2021, 08:31 - Autor: Alexandra Cavalcanti


Com o reinício das aulas presenciais e remotas em boa parte das escolas, os pais ou responsáveis devem ficar atentos
Com o reinício das aulas presenciais e remotas em boa parte das escolas, os pais ou responsáveis devem ficar atentos | Divulgação

Muitas vezes as dificuldades em desempenhar tarefas escolares ou mesmo prestar atenção às aulas e se manter concentrado durante determinadas atividades podem significar sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Com o reinício das aulas presenciais e remotas em boa parte das escolas, os pais ou responsáveis devem ficar atentos.

O TDAH é comum em todo o mundo e de acordo com pesquisas feitas por várias entidades no Brasil, no país costuma afetar de 3% a 5% das crianças em idade escolar. Entre suas características mais comuns está a impulsividade, a agitação ou a distração. “O que motiva a suspeita do TDAH é quando o padrão de hiperatividade, por exemplo, começa a levar prejuízo para aquela criança, seja na escola, em casa ou na prática de uma atividade esportiva. Não se trata apenas de uma criança agitada, mas quando aquela agitação traz prejuízos para ela e os pais ou responsáveis, por mais que tentem, não conseguem manejar aquele comportamento”, explica o psiquiatra Dárcio Maciel Castelo de Souza Júnior, do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR).

Os primeiros sinais costumam aparecer na infância, mas nem sempre são detectados nesse momento e acabam só sendo percebidos na adolescência ou na fase adulta. “Não é que aquela pessoa começou a manifestar o transtorno na fase adulta. Na verdade, os traços não foram detectados antes, mas já estavam lá porque uma pessoa não adquire o TDAH, ela já nasce com ele”, ressalta o médico.

Ele informa ainda que nem sempre o desempenho escolar pode ser indicativo de diagnóstico. “Temos crianças inteligentes e algumas desenvolvem mecanismos que dificultam a identificação por parte dos pais. Às vezes, elas são hiperativas, mas conseguem ir bem na escola porque se esforçam muito para isso. Então nem sempre o prejuízo causado por esse transtorno está na incapacidade, mas no sofrimento causado pelo esforço para conseguir desempenhar uma determinada tarefa”, explica.

O TDAH pode se apresentar em três formas: com o predomínio da desatenção; da hiperatividade e impulsividade e da forma combinada, que é a mais comum. Além desses sinais, é possível que outras questões psiquiátricas, como a depressão e a ansiedade, apareçam concomitantemente. “Isso não ocorre pelo transtorno em si, como se fosse evolução dele, mas por comorbidades, principalmente aquelas relacionadas a transtornos de humor”, destaca.

O diagnóstico do TDAH é clínico. Não existem exames específicos capazes de detectá-lo e o profissional indicado para fazê-lo é o psiquiatra. “É claro que outras especialidades também podem fazer esse diagnóstico e tratar, mas trata-se de uma síndrome psiquiátrica”, ressalta.

Tratamento

O TDAH não é uma condição temporária, por isso o tratamento deve ser feito de forma constante. “Por essa razão, é necessário usar fármacos e isso é um consenso mundial, o de que o tratamento deve ser feito com medicações específicas, que possibilitam um aumento de atenção, consequentemente diminuindo a hiperatividade”, reforça.

A psicoterapia, segundo Dárcio, só é indicada para pacientes já em tratamento. “Isso ocorre porque não há como uma pessoa com TDAH se concentrar em uma sessão de psicoterapia que pode durar até 40 minutos, em média”, justifica.

O tratamento costuma ter um prognóstico positivo, quando há adesão do paciente tomando a medicação na dosagem e nos horários indicados. “Nesses casos a melhora dos sintomas pode ocorrer em cinco dias. Por outro lado, será preciso usar a medicação sempre”, diz.

O médico enfatiza que o tratamento tem sido facilitado pelo baixo custo dos remédios usados, especialmente com o uso de medicações genéricas e com o fato de também serem distribuídas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). “O tratamento melhora bastante a qualidade de vida da pessoa afetada pelo transtorno, por isso é importante interferir o quanto antes para evitar prejuízos, principalmente no aprendizado”, afirma.

O psiquiatra alerta ainda que o diagnóstico tardio pode acarretar em prejuízos nas pessoas com TDAH, inclusive na vida adulta. “Ela pode apresentar dificuldades na vida acadêmica, profissional, por conta da dificuldade de concentração, em desempenhar multitarefas. Não vamos ter um adulto hiperativo, como no caso de crianças, mas ele terá um comportamento hiperativo, se envolvendo mais, por exemplo, em esportes radicais, de aventura, com dificuldade para esperar, será uma pessoa que tolera pouco ser contrariada, terá ainda dificuldades nas relações interpessoais e afetivas, entre outras coisas”, cita.

Desafios

Um dos grandes desafios no diagnóstico e tratamento do TDAH é o preconceito. “Muitas vezes os sintomas – a falta de concentração e a hiperatividade – são vistos por um viés de educação, como se os pais não tivessem tido capacidade de dar limites aos filhos. É claro que isso pode acontecer sim. Mas antes de chegar a essa conclusão, o ideal seria levar a criança para uma avaliação com o psiquiatra”, ressalta o médico Dárcio Maciel Castelo.

A questão, segundo ele, é que quase sempre essa é a última alternativa a ser buscada. “Primeiro se tenta uma série de coisas, se leva a outros profissionais antes de chegar ao psiquiatra que acaba sendo usado como o último recurso, quando não deveria ser assim, por isso precisamos quebrar esse preconceito para que possamos ter um diagnóstico e tratar aquela criança precocemente, evitando prejuízos principalmente no aprendizado”, conclui.

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