A movimentação de veranistas foi intensa no trapiche de Icoaraci neste domingo (18). Desde cedo, a fila extensa para a compra de passagens anunciava que as praias da Ilha de Cotijuba estariam lotadas de banhistas neste terceiro final de semana de julho. Mesmo com o bandeiramento verde na Região Metropolitana de Belém (RMB) – que retoma de forma flexibilizada a abertura da maioria das atividades não essenciais, respeitadas as regras de proteção sanitária e distanciamento controlado das pessoas – a grande maioria dos veranistas negligenciava o uso de máscaras e causava aglomeração no trapiche.

O tempo entre a compra de passagem e o embarque demorava cerca de uma hora. Na fila para comprar a passagem e à espera da neta e da bisneta, a aposentada Otacília Santos, 75 anos, disse que aproveitou o dia para passear e que fazia três anos que não visitava a ilha. “Imaginei que a fila estaria grande, mas como faz tempo que não vou à praia resolvi arriscar. Em todos os outros finais de semana também tenho aproveitado as praias de Belém, principalmente Cotijuba porque é um destino bastante procurado. Sempre vou e volto no mesmo dia”.
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O movimento seguiu intenso no desembarque na ilha, com mototaxistas e motocharretes disputando a clientela que chegava ao local. Já decididos em qual praia iriam ficar, um grupo de amigos aproveitava para registrar com a câmera dos celulares as ruínas da penitenciária e relembrar alguns momentos de quando visitavam a ilha na infância. “Eu vim aqui quando era criança e decidi voltar novamente. Vamos passar o dia na Praia da Saudade e estamos bastante animados. Achei que a viagem foi tranquila, pois dizem que é sempre muito lotada, mas estamos gostando”, contou o fotógrafo Jonatas Ferreira, 25. “Eu também sempre vinha à Cotijuba, desde criança, só que faz alguns anos que não venho. E como estamos em fim de semana de férias, vamos aproveitar o dia e voltar só no fim da tarde”, acrescentou a administradora Rebeca Sá, 25.
PRAIA
Em uma das praias mais procuradas, a do Vai-Quem-Quer, o fluxo de veranistas na faixa de areia e na água era grande, assim como nos bares e restaurantes. Nestes estabelecimentos, mesas próximas umas das outras e com um amontoado de pessoas caracterizavam a negligência com as medidas de restrição contra o novo coronavírus. Mas apesar de estarem com uma grande demanda, para os donos de bares e restaurantes, este final de semana ainda não havia suprido as expectativas de faturamento. “Esperávamos que melhorasse, mas ainda não tivemos um saldo positivo. Ainda não está bom o suficiente para os comerciantes e nem para os ambulantes. Acredito que até o fim do mês possa melhorar, e até o momento o único dia que tem sido bom é o domingo. Nos demais, está fraco”, avaliou a atendente de restaurante Denise Fernandes, acrescentando que o serviço de hospedagem é o que tem tido uma boa procura. “Temos quartos para alugar e de segunda a segunda tem pessoas pesquisando para se hospedar. Temos tido uma boa demanda”. O preço da diária, segundo ela, varia de R$ 100 a R$ 150 dependendo do quarto.


Escolher um local estratégico para atrair a clientela e, claro, garantir a renda extra, fez com que a vendedora Doralice Souza, 51 anos, aceitasse um espaço na calçada da casa de uma amiga para vender os produtos de moda praia. Para ela, o local é atrativo, já que, em um cenário de pandemia, é uma forma de chamar a atenção do público que está na praia. “Já vendo aqui há dez anos e ficava na faixa de areia. Mas este ano optei por ficar na calçada dessa casa porque atrai os olhares dos veranistas e porque estava com um problema no pé, que me impedia de ficar muito tempo na areia. Mas ainda assim está um pouco difícil vender bem. No primeiro fim de semana o faturamento foi bem fraco e só melhorou um pouco no segundo. Hoje (domingo) posso dizer que foi bom, até porque a praia está bem movimentada, tem bastante gente. Espero que até o fim de julho as vendas aumentem mais”, contou.
Praias do Outeiro foram disputadas
Entre 15 e 20 mil pessoas estiveram em uma das praias da Ilha do Outeiro neste final de semana. A estimativa do Corpo de Bombeiros e refletiu o cenário de lotação visto pelo DIÁRIO neste domingo (18). Muitas famílias, grupos de amigos, vendedores informais e todo tipo de gente aproveitou o dia ensolarado para colocar o bronzeado em dia, tomar um banho de praia ou simplesmente espairecer após uma semana cansativa de trabalho.
Na Praia Grande, milhares de pessoas ocupavam a extensa faixa de areia. Para os banhistas, o clima foi de muita tranquilidade. Os irmãos Mauro, 34 anos, e Fábio Souza, 40, resolveram colocar a conversa em dia, numa visita em família à praia. Levaram esposas, filhos e gostaram do clima. “Olha, eu acho que o clima está muito agradável, bom para quem trabalha a semana toda e quer um momento de lazer e descanso. Aproveitei que meu irmão mora aqui e vim visitá-lo”, afirma Mauro, que mora em Belém e trabalha como porteiro. O irmão complementa. “Hoje está bem lotado, inclusive até nos afastamos um pouco, mas se Deus quiser todo mundo vai brincar e nada de errado vai acontecer”.

Entre os registros, uma pessoa se afogou, ao ir para a praia alcoolizada. “Além dos 34 militares nas cinco praias, contamos com o apoio de todos os órgãos da segurança pública. No entanto, hoje registramos um afogamento, 12 crianças perdidas e um desacato. Todavia, não houve nenhum problema de maior dificuldade. Neste final de semana conseguimos, inclusive, combater a venda das linhas chilenas, que são proibidas devido o perigo de acidentes”, resume o capitão Nascimento.
As amigas Amanda Brito, 19, e Gabriela Holanda, 23, foram direto do trabalho.
“Estávamos trabalhando. Como não temos muitas folgas, resolvemos vir direto. Eu fiquei um pouco assustada, mas como não vou conseguir viajar tão cedo, resolvemos vir aqui”, comenta.
A vendedora Maria Deuzanin, 44, e o filho, montaram venda na praia, mas o comércio de boias - que variam de R$ 15,00 a R$ 30,00 - não estava tão lucrativo quanto o esperado. “No final de semana passado vendemos bem mais. Apesar disso, deu para tirar o nosso custo. Não sei se porque tem muitos vendedores ou se o pessoal não está comprando mesmo. Espero que melhore nos próximos”, deseja a trabalhadora informal.
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