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PREOCUPAÇÃO

Alta do preço da carne aumenta o consumo de ossos

Os sucessivos reajustes de preços de cortes até mais simples, como o picadinho de músculo, fizeram com que os consumidores buscassem alternativas em feiras e supermercados de Belém, para garantir o prato na mesa

sexta-feira, 13/08/2021, 07:37 - Atualizado em 13/08/2021, 08:22 - Autor: Alexandra Cavalcanti


O saco com osso e pedaços de carne ao redor custa, em média, entre R$ 3 e R$ 5 na capital paraense
O saco com osso e pedaços de carne ao redor custa, em média, entre R$ 3 e R$ 5 na capital paraense | Mauro Ângelo

Consumidores de Belém estão assustados com o preço da carne vendida nos açougues e supermercados da cidade. O que mais chama atenção são os preços dos cortes mais simples, como é o caso do picadinho de músculo, que pulou de R$ 19, o quilo, para R$ 26 e até R$ 30, em alguns lugares. A principal justificativa para a elevação ainda é a queda na oferta, pelo fato dos produtores continuarem a destinar um maior volume às exportações. Para driblar as altas, a alternativa tem sido diminuir o consumo e optar por produtos antes descartados, como ossos, que têm registrado um aumento na procura.

Outra alternativa buscada por consumidores tem sido a pesquisa. A depender do bairro, do tipo de carne e do estabelecimento há diferenças relevantes no preço. No Barreiro, por exemplo, é possível encontrar o picadinho de músculo por até R$ 25, o quilo, em açougues de rua. O mesmo produto, em um supermercado no bairro de São Brás, é comercializado a R$ 30.

Outra diferença que reflete nos preços é que em áreas periféricas os pontos de venda trabalham com produtos alternativos. No Barreiro, além do picadinho de primeira e do picadinho de músculo, é possível encontrar o picadinho popular, com o quilo a R$ 15,99.

Já o quilo da paulista, pode ser encontrado a R$ 29 em bairros mais periféricos e R$ 34, em supermercados de bairros mais centrais, como a Pedreira.

A variação em outros cortes como a agulha é um pouco menor. Em açougues de bairros como Pedreira, Barreiro e o Marco, o produto é comercializado a preços que variam entre R$ 28 e R$ 30, o quilo, e nos supermercados chega a R$ 32.

A alcatra, bastante procurada sobretudo para preparar bifes, está sendo vendida em açougues de rua por valores entre R$ 35 e R$ 39, esse último o mesmo valor de supermercados.

O osso passou a ser procurado com mais frequência por consumidores, principalmente nos açougues de bairro, onde o pacote com o quilo custa entre R$ 3 e R$ 5, em média. Em supermercados, o produto não costuma ficar exposto, mas também é comercializado a R$ 5, o pacote.

Proprietário de um açougue na avenida Dr. Freitas, Aurélio Nandes diz que nos últimos meses foi preciso pisar no freio para segurar os aumentos e manter os clientes. “Desde que começou a pandemia tivemos uma queda grande nas vendas. Por conta disso, estamos lutando para manter os preços porque senão, não vamos conseguir vender carne para ninguém.”

Para ele, a justificativa dos aumentos sucessivos, de fato, é a prioridade dada a exportação do produto. “Enquanto isso estiver acontecendo, os produtores vão continuar a querer vender para os mercados que pagam com moedas que valem mais, como o dólar, e o mercado interno vai se manter assim com preços altos e baixa nas vendas”, acredita.

No comércio localizado no bairro do Marco, a venda está focada nos cortes menos nobres, como paulista e chã. “Mas aqui eu vendo de tudo, até mesmo o osso, que antes não vendia tanto, hoje em dia tem uma procura intensa. Tenho vendido bastante”, conta.O quilo sai por R$ 3 e R$ 5.

Açougueiro há mais de quatro décadas, Cirilo Oliveira mantém um ponto de venda na Feira da Bandeira Branca, onde tenta manter o preço estável para não perder a clientela, que vem diminuindo há cerca de um ano e meio. “Na verdade, estou segurando o preço desde novembro do ano passado quando repassei o último aumento”, diz.

Ele ressalta que no local costuma vender todos os tipos de cortes, mas os das carnes chamadas de segunda, como peito, pá e agulha tem uma melhor saída.

Assim como Aurélio, ele também viu aumento na procura por ossos. “Na situação em que estamos vivendo não dá para desperdiçar nada. Há um tempo atrás os ossos eram vendidos para pessoas que produziam ração. Mas atualmente as pessoas estão comprando mesmo para consumir em casa. Aqui estou vendendo a R$ 3 o pacote e a R$ 5 aquele que ainda vem com alguma carne”, detalha o açougueiro.

Sobre futuros aumentos no preço do produto, ele diz que não ter com prever. “Estamos em um período de muita instabilidade, onde não dá para saber o que vai acontecer daqui para o próximo mês”, conta.

Para ele, muito tem se falado do aumento do picadinho, mas o que tem assustado mesmo é o aumento registrado no valor das vísceras. “O mocotó, por exemplo, está saindo por R$ 18, o quilo, um aumentode quase 100%”, compara.

Famílias lamentam e reclamam dos preços salgados

Encarregado de um açougue no bairro da Pedreira, Alex Souza diz que houve um aumento no mês passado, apesar dos esforços para conter os acréscimos. “Quando os produtores aumentam precisamos aumentar também para conseguir manter o ponto, apesar de haver alguns locais que deixam o preço mais em baixo, mas sem ter o cuidado com a origem do produto, como temos aqui”, garante.

Alex conta que as vendas vêm se mantendo para todos os cortes. “Os preços das carnes de primeira e segunda estão quase se equivalendo, então as pessoas continuam comprando tudo. A novidade mesmo é a procura por ossos que tem aumentado também”, diz ele, ressaltando que o pacote com um quilo está saindo a R$ 3 no local.

Gerente de um açougue no bairro do Barreiro, Edson Silva diz que os preços têm aumentado nos últimos meses. “Houve um reajuste geral no último mês, mas que até agora não chegou a abalar a procura”, argumenta.

Com relação a venda de ossos, ele explica que o local não costuma comercializar, mas quando isso ocorre o pacote sai a R$ 2 e sempre tem procura.

Os consumidores têm sentido no bolso os aumentos consecutivos no preço da carne.

A dona de casa Cíntia Piedade conta que reduziu bastante o consumo do produto da família. “Estou comprando basicamente costela, picadinho e fígado, para comermos em alguns dias da semana. Nos outros, como somos do interior, conseguimos trazer peixe e frango a um preço mais em conta”, diz.

 

Para a advogada Clarice Oliveira tem sido mais viável substituir a carne pelo frango nas refeições
Para a advogada Clarice Oliveira tem sido mais viável substituir a carne pelo frango nas refeições | Mauro Ângelo
 


A copeira Nete Ribeiro também tem procurado reduzir o consumo de carne em casa e optado por cortes menos nobres. “Tenho ficado mais com pá e agulha. Gosto muito de bisteca, mas com o preço que está não dá para comprar, assim como o picadinho que deu uma disparada no preço e agora custa R$ 27, R$ 28, o quilo”. Para substituir a carne, ela aposta em outros pratos. “Faço feijão com uma carne mais barata ou compro frango assado que ainda está saindo mais barato do que comprar o cru inteiro.”

A advogada Clarice Oliveira diz ter observado uma estabilidade no preço do produto nas últimas duas semanas. “Mas continua caro, por isso às vezes tem que substituir por frango para conseguir manter alguma proteína no prato”, diz.

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