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Ambiente saudável: um trabalho bom para todos

Ações de promoção e práticas preventivas em saúde são fundamentais para garantir um ambiente de trabalho saudável

sexta-feira, 10/09/2021, 16:42 - Atualizado em 10/09/2021, 16:41 - Autor: Cintia Magno/Diário do Pará


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| Reprodução/Freepik

A compreensão de que a saúde ocupacional envolve não apenas o ambiente físico, mas também fatores psicossociais e de práticas de saúde individual precisam ser considerados quando se busca a promoção de um ambiente de trabalho mais saudável ao colaborador. Mais do que evitar doenças e prevenir acidentes, a promoção de um ambiente de trabalho saudável também passa por ações de promoção e prática preventivas em saúde, entendimento defendido pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Como um todo, é importante que a medicina do trabalho e setores ligados à saúde e segurança do trabalhador considerem, também, a necessidade de promoção de controle, por exemplo, de doenças crônicas que estão muito presentes na sociedade em geral e, consequentemente, entre os trabalhadores. É o caso, por exemplo, do diabetes e da hipertensão arterial, doenças que podem causar consequências a longo prazo que podem impactar no desenvolvimento das atividades laborais. 

Da mesma forma, os aspectos psicossociais são outro fator que influencia a promoção de um ambiente de trabalho saudável, na medida em que as doenças mentais figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho atualmente. 

Tanto quando se considera os aspectos do ambiente físico – como a estrutura, maquinário, móveis, substâncias químicas, materiais e processos de produção -, quanto os aspectos psicossociais, os caminhos que podem levar ao desenvolvimento de um ambiente de trabalho saudável passam, segundo aponta a OMS, por uma hierarquia de processos de controle.

Modelo de ação

Na publicação ‘Ambientes de trabalho saudáveis: um modelo para ação’, a OMS aponta que as principais etapas para o desenvolvimento de um espaço salutar, no aspecto físico, está a eliminação ou substituição de elementos ou processos por outros de menor risco; controles de engenharia, como a instalação de dispositivos de segurança e proteções; controles administrativos, como treinamento dos trabalhadores em procedimentos operacionais seguros e equipamentos de proteção individual. Já no ambiente psicossocial, as ações podem incluir a eliminação ou modificação da origem do fator estressante, como a realocação do trabalho para redução da carga, por exemplo; a diminuição do impacto sobre os trabalhadores e a proteção dos trabalhadores por meio de medidas de prevenção de conflitos.

Capacitação contínua reforçada durante pandemia

A promoção de um ambiente de trabalho saudável se colocou como um desafio a mais no contexto da pandemia de Covid-19, sobretudo em ambientes hospitalares. Diante dos riscos de contaminação pelo novo coronavírus, mais do que a disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foi necessário reforçar a capacitação das equipes para o correto uso deles.

Professora de doenças infecciosas e parasitárias da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Irna Carneiro destaca que, a partir da pandemia, tanto a nível de instituições hospitalares como as Unidades Básicas de Saúde, ou ainda as clínicas, vivenciaram a necessidade de, antes de qualquer coisa, ter o trabalhador da área de saúde treinado e informado sobre as medidas necessárias para o bom uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI). “Mais do que nunca, a pandemia de Covid-19 veio mostrar que há necessidade, dentro das instituições, de se manter uma capacitação contínua. Então, a capacitação dos trabalhadores de saúde é uma condição que faz com que ele possa apresentar condições seguras para o exercício das suas atividades”.

A professora lembra que, dentro do contexto da pandemia, houve toda uma orientação, tanto em nível local, quanto por parte do Ministério da Saúde, de realização de treinamentos para a utilização adequada dos equipamentos de proteção. “Na Covid-19 as instituições hospitalares, a partir das suas comissões de controle de infecção e também junto com a saúde do trabalhador, que é um setor importante nesse processo, fizeram o treinamento para a adequada utilização tanto de máscaras cirúrgicas, como das máscaras N-95, para a utilização de máscaras específicas e anteparos chamados ‘face shield’ no momento da assistência ao paciente, para o uso do avental de manga longa, que deve ser descartável, a utilização de luvas durante os procedimentos”, lista. “Enfim, foi necessário um ciclo completo de treinamento para fazer com que o trabalhador de saúde pudesse realizar de forma adequada as suas atividades de forma que segura”.

Conhecimento

Além da capacitação, principalmente de proteção individual, em toda a equipe de trabalhadores também foi necessário receber treinamento a respeito da pandemia em si, para que se pudesse ter maior conhecimento sobre a doença, os riscos e mecanismos de transmissão tanto no ambiente hospitalar, como na própria comunidade.

“Outro dado importante relativo à saúde do trabalhador foi a promoção da imunização segura do profissional da área da saúde. Todos os estados acabaram seguindo o cronograma do Plano Nacional de Imunização e esse grupo foi o primeiro a ser escolhido para receber a vacina porque precisava estar imune em relação às formas graves para poder continuar realizando as suas atividades”, considera Irna Carneiro.

“Como nós tivemos, tanto entre os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos, perdas desses profissionais em relação à exposição ao vírus, havia a necessidade de priorizar esse grupo entre os primeiros a receberem a imunização”, cita.

“Isso faz parte, também, de outro pilar importante dentro da saúde do trabalhador, que é mantê-lo com a sua carteira de imunização adequada, com as vacinas em dia, para hepatite B, para tétano, difteria, para a gripe, entre outros imunizantes que são necessários e que previnem o trabalhador da exposição a essas infecções no dia a dia”.

 

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