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DOENÇA DA URINA PRETA

"Não há motivo para pânico", afirma engenheiro de pesca

O Dol conversou com o Presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca dos Estados do Pará e do Amapá, Marcos Brabo, para tirar dúvidas sobre o assunto.

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Imagem ilustrativa da notícia "Não há motivo para pânico", afirma engenheiro de pesca camera Reprodução

Muito tem se falado sobre Síndrome de Haff, mais conhecida como a doença da “Urina Preta”, na última semana, após casos suspeitos em várias partes do Brasil.

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De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), até a tarde de sábado (11), seis casos suspeitos da síndrome de Haff estão sendo investigados, sendo eles um em Belém, um em Trairão e quatro em Santarém. Os exames sanguíneos e de urina dos casos suspeitos foram encaminhados para o Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen), os exames sanguíneos e de urina dos casos suspeitos para laboratório de referência e aguarda os resultados.

A doença da “Urina Preta” ainda é desconhecida por muitas pessoas, o que pode aumentar as incidências de casos por desconhecimento. Por isso, o DOL conversou com o Engenheiro de Pesca e Presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca dos Estados do Pará e do Amapá, Marcos Brabo, para esclarecer sobre o assunto.

 Engenheiro de Pesca e Presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca dos Estados do Pará e do Amapá, Marcos Brabo.
📷 Engenheiro de Pesca e Presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca dos Estados do Pará e do Amapá, Marcos Brabo. |Arquivo pessoal

Primeiramente, o engenheiro explicou o que é a Síndrome de Haff ou doença da urina preta. “É a denominação concebida a uma enfermidade que promove a destruição das fibras musculares de seres humanos, liberando substâncias na corrente sanguínea que acometem principalmente os rins, em um processo chamado rabdomiólise, que altera a cor da urina. Neste caso, o que desencadeia este processo é a ingestão de uma toxina proveniente do consumo de pescado, no caso, peixes ou crustáceos”.

Ele completou dizendo que os sintomas aparecem geralmente entre duas e 24 horas após o consumo de pescado contaminado pela toxina, sendo os principais: dor muscular intensa nos braços, nas pernas e nas costas, além da alteração na coloração da urina. “Ao sentir os sintomas, é recomendado que se busque atendimento médico. Importante ressaltar que os casos da doença são extremamente raros em relação ao total de consumidores de pescado e apenas um pequeno percentual promove óbito”, completou.

Onde surgiu a doença e quais peixes estão na lista?

Atualmente está se falando muito sobre o assunto, mas pouco se sabe se sabe de onde surgiu a doença. Então, o engenheiro de pesca explicou que a “Urina Preta” veio da Europa. “A primeira vez que esta doença foi reportada no mundo foi em 1924. Diversas espécies de peixes e crustáceos foram relacionadas a doença da urina preta desde então, em especial de ambiente marinho, no Brasil: o olho de boi ou arabaiana (Seriola spp.) e o badejo (Mycteroperca spp.). Em relação a peixes de água doce, o tambaqui (Colossoma macropomum), a Pirapitinga (Piaractus brachypomus) e o pacu (Mylossoma duriventre) foram ligadas a ocorrência de surtos da doença”.

Ele completou dizendo que, no mundo, há relatos da doença da Urina Preta também em crustáceos, porém, no Brasil, somente em peixes.

O que causa a doença?

O Presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca dos Estados do Pará e do Amapá disse, ainda, que “não se sabe exatamente qual é a toxina que tem causado a doença, mas partindo do princípio de que os peixes não foram consumidos crus, a maior probabilidade é de que ela seja termoestável, ou seja, não é eliminada pelo calor", diz. O engenheiro explica ainda que a possibilidade mais aceita é que a má conservação do produto pode oferecer mais riscos quanto ao contágio, porém ainda não há respostas com comprovação científica neste sentido.

Procedência do pescado

No caso do estado do Pará, as três espécies de água doce são relevantes do ponto de vista socioeconômico, principalmente o tambaqui e a pirapitinga que contam com uma produção bastante significativa em cativeiro. “A literatura disponível não vincula nenhum caso no Brasil a peixes provenientes de cativeiro, onde esses organismos consomem principalmente ração balanceada há controle de qualidade da água para o seu adequado crescimento”, explica.

Marcos Brabo explicou que é importante que o consumidor conheça a procedência do pescado que irá consumir, bem como que adquira o produto em espaços dotados de adequadas condições higiênico-sanitárias e de conservação dos produtos.

“Não há motivo para pânico ou mesmo para deixar de consumir pescado, inclusive das espécies em questão. Esta representa apenas mais uma das doenças com possibilidade de ser transmitida por alimentos, os casos são raros, sazonais, poucos evoluem a óbito e o tratamento é estimular a diluição e excreção da toxina do corpo do paciente, ou seja, apresenta baixíssima complexidade”, afirma.

Ele finaliza dizendo: “O pescado continua a ser a proteína de origem animal mais consumida no planeta e também a mais saudável, além de saborosíssima. Se resguarde e proteja a sua família adquirindo pescado com procedência conhecida, no caso das espécies em questão, principalmente de piscicultura”.

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