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Saudável e necessário: uso de bicicleta cresceu na pandemia

O Brasil fechou o ano de 2020 com mais de 70 milhões de bikes. Somente no mês passado, a produção teve alta de 15% em relação a agosto. Preços dos combustíveis e qualidade do transporte público pesaram na escolha

sexta-feira, 29/10/2021, 08:02 - Atualizado em 29/10/2021, 08:23 - Autor: Ricardo Miranda

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Belém tem 114 km de ciclovias e ciclofaixas em 41 vias da cidade
Belém tem 114 km de ciclovias e ciclofaixas em 41 vias da cidade | Wagner Santana

O número de ciclistas nas ruas aumentou durante a pandemia. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a frota nacional de bicicletas fechou o ano de 2020 com mais de 70 milhões de unidades. O Brasil ocupa o quarto lugar como maior produtor mundial. Durante o mês passado, as fabricantes de bicicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 83.766 unidades, alcançando o melhor resultado. Segundo a Abraciclo, o volume é 15,9% superior às 72.293 unidades que saíram das linhasde montagem em agosto.

Com a alta de combustíveis, condições precárias de ônibus e, por fim, a alternativa de melhorar a qualidade de vida, o brasileiro, e em especial o paraense, redescobriu a utilidade e benefícios que a bicicleta oferece.

Alann Rezende é proprietário de uma loja especializada em artigos para ciclismo há cerca de sete anos e durante a pandemia viu as vendas crescerem cerca de 20%, em comparação a 2019. “Um pouco antes do lockdown as vendas estavam estáveis. A partir de junho, quando algumas atividades começaram a voltar, mas as academias ainda não estavam liberadas, aquelas pessoas acostumadas a treinar viram na bicicleta uma alternativa segura para se exercitar. A procura aumentou não apenas das bicicletas em si, mas também de acessórios, correntes, entre outros artigos. O grande ‘boom’ de vendas aconteceu no ano passado, tanto que nesse ano de 2021 elas deram uma estabilizada novamente”, explicou.

O cozinheiro Herberto Vasconcelos Junior mora na travessa Humaitá e há pouco mais de dois anos optou por utilizar a bicicleta para se deslocar ao trabalho. “Antes eu era usuário de ônibus, mas era sempre muito desgastante e também quase nunca chegava no horário. Com a bicicleta, além de ser mais ágil, já chego no piquepara trabalhar”, afirmou.

Diego Primo trabalha como fiscal de loja e diz que sempre foi adepto da bicicleta para se locomover. Ele é morador da avenida Visconde de Inhaúma e há cerca de dois anos faz aproximadamente quatro viagens diariamente de casa para o trabalho. “Minha rotina hoje é chegar no trabalho às sete da manhã, depois saio para o almoço, retorno e termino por volta das 16h. Sempre gostei de bicicleta, o único problema é que ainda tem muito motorista que é mal-educado, não respeita o espaço dos outros. Aí fica complicado”, relatou.

MALHA

De acordo com a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), a cidade possui 114 km de ciclovias e ciclofaixas em 41 vias. A extensão dessa malha corresponde a mais da metade da distância entre a capital paraense e Salinópolis.

O órgão destaca, ainda, que está prevista a implantação de ciclofaixas em outras vias, como avenida Doutor Freitas, entre as avenidas Brigadeiro Protásio de Oliveira e Almirante Barroso; avenida João Paulo II, entre passagem Mariano e avenida Doutor Freitas; avenida 16 de Novembro, em Mosqueiro, e a ligação das avenidas Pedro Miranda com a Visconde de Souza Franco, através da rua Bernal do Couto.

A nova ciclofaixa da avenida Pedro Miranda, que tem previsão de conclusão ainda este ano, vai acrescentar quase três quilômetros à malha cicloviária de Belém, com possibilidade de interligação a diversas outrasciclovias e ciclofaixas.

Perfil: quem são os ciclistas?

- A pesquisa Perfil do Ciclista, organizada em 2018 pelo Transporte Ativo, mostra que o ciclista brasileiro pedala cinco ou mais dias por semana (82,5%), usa a bicicleta como meio de transporte há mais de cinco anos (59%), está na faixa etária de 25 a 34 anos (25,7%) e tem renda mensal de um a dois salários mínimos (40,3%). A pesquisa ouviu cerca de 7,6 mil ciclistas de 25 cidades brasileiras, como Belém, além de Argentina e Colômbia.

- O estudo apontou ainda que 18,2% dos entrevistados utilizam a bike com outro modal de transporte e para 55% dos pesquisados o tempo de viagem (pedal) varia de dez a 30 minutos. As três principais motivações para os brasileiros adotarem a bicicleta como meio de transporte são: rapidez e praticidade (38,4%), saúde (25,8%) e custo (22,1%). Já os principais problemas diários enfrentados são as faltas de segurança no trânsito (40,8%) e de infraestrutura (37,9%).

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