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Saiba quanto vai custar a ceia de Natal paraense

Com o aumento sucessivo dos itens em supermercados e feiras, o DIÁRIO visitou alguns locais e constatou variação de preço que chega a R$ 60. Frutas e panettone estão entre os produtos mais caros este ano

terça-feira, 30/11/2021, 08:47 - Atualizado em 30/11/2021, 08:47 - Autor: Pryscila Soares/ Diário do Pará


Ivanildo Bastos notou que o peru consumido na ceia já teve vários aumentos nos supermercados.
Ivanildo Bastos notou que o peru consumido na ceia já teve vários aumentos nos supermercados. | Mauro Ângelo/ Diário do Pará

As famílias paraenses que planejam fazer a tradicional ceia de Natal precisam preparar o bolso desde agora, já que existe uma tendência de elevação geral nos preços dos itens que compõem a ceia natalina, em comparação com o mesmo período do ano passado. O principal indicativo desse cenário é a inflação, segundo os especialistas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a alta acumulada em 8,24% no ano, a inflação oficial do país chegou a 10,67% nos últimos 12 meses, após o salto de 1,25% em outubro passado.

O DIÁRIO pesquisou uma média de preços desses produtos em supermercados da capital paraense e, também, na feira do complexo Ver-o-Peso nos dias 24 e 25 deste mês, respectivamente. Foram analisados, por exemplo, os valores cobrados pelo panetone, o quilo do peru, pernil, chester, bacalhau, entre outros. Além do azeite de oliva, frutas da época como uva, maçã e pera, e de alimentos oleaginosos como a Castanha-do-Pará e nozes.

Item sempre presente na ceia natalina, o panetone está disponível nas redes de supermercados. Entre as opções está o Panettone Bauducco frutas cristalizadas - especial com 500g, comercializado, em média, a R$ 28,90. Para quem quer economizar, adquirindo o mini Panettone Bauducco frutas cristalizadas, com 80g, o cliente pagará, em média, R$ 6,29. Já o quilo do peru congelado da Sadia pode ser encontrado a R$ 24,98, enquanto que o Perdigão está, em média, R$ 23,98. Outro item procurado nesta época é o pernil suíno congelado c/osso, cujo quilo custa, em média, R$ 14,80.

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Por outro lado, quem busca uma ceia mais sofisticada com o bacalhau do Porto na mesa terá de desembolsar entre R$ 129,00 a R$ 182,75 pelo quilo do produto, lembrando que a variação de preço depende do local de compra. A pesquisa entre as redes de supermercados pode render ao consumidor uma economia de mais de R$ 60 na compra desse produto.

Em geral, a disponibilidade para a venda e a procura de itens como as frutas e oleaginosos é intensificada na semana do Natal por serem alimentos perecíveis. Já a compra dos demais produtos da ceia como o peru, pernil e o bacalhau pode ser antecipada. É uma boa opção para o consumidor conseguir pesquisar com calma e, com isso, tentar garantir uma economia. Para o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Pará), Roberto Sena, sejam importadas ou não, as frutas da ceia estão mais caras este ano. Além da inflação, há ainda outro fator que é a alta do dólar, o que eleva o custo da importação.

“As frutas da ceia natalina, embora ainda estejam chegando para a venda, já estão mais caras. E toda vez, por tabela, também há aumento da ceia nacional. Estamos com uma inflação de quase 11%, enquanto que no mesmo período do ano passado estava entre 4% a 6%. Dobrou e nesse período o salário caiu. O que vai dar um pouco de alívio é o 13º salário”, explicou Sena. “O cenário é de alta e a tendência é de que a ceia fique mais cara, seja na parte de peru, bacalhau e também das frutas”, comentou o economista e supervisor técnico do Dieese.

O eletricista Ivanildo Bastos, 65 anos, costuma consumir peru algumas vezes durante o ano. Ao pesquisar o preço do produto no supermercado, ele afirma ter constatado dois aumentos consecutivos no quilo da ave congelada. “O preço aumentou e o peru continua do mesmo tamanho. No Natal a gente não faz nada em casa. Moramos em Mosqueiro e a gente vem passar com familiares no bairro do Guamá. O final de ano é em Mosqueiro. A gente se reúne para fazer a ceia. Todo dia a maquininha está passando e renovando os preços. Ontem (último dia 23) eu vim (ao supermercado) e o peru estava com um preço e agora já aumentou”, sustentou.

VER-O-PESO

Na feira do Ver-o-Peso, o cliente consegue comprar algumas frutas por unidade ou quilo. Meio quilo da uva preta sem semente, por exemplo, está custando R$ 5,00. A mesma quantidade da uva verde com semente custa, em média, R$ 7,00. O quilo da maçã argentina está sendo comercializado a R$ 15,00 e a unidade R$ 2,00. E o quilo da maçã verde custa R$ 20,00 e a unidade da fruta está R$ 3,00. Os preços das frutas estão mais altos do que no mesmo período de 2020, de acordo com a feirante Suelen Gomes, 34 anos, que sempre tem frutas importadas à disposição na sua barraca.

“Começou a aumentar tudo. Semana passada comprei uma caixa de kiwi com 10 quilos por R$ 170,00. Hoje já está no valor de R$ 195,00. A pera está variando de preço. Tem caixas com cerca de 20 quilos a R$ 200,00 e de R$ 265, na Ceasa. A tendência é ir aumentando até chegar no Natal. O cliente vai ter que vir com o bolso preparado”, avisou Suelen.

A castanha-do-pará também ficou mais cara este ano. O feirante Antônio Valdomiro, 41 anos, trabalha há 6 anos com a venda desses produtos. Na barraca dele tem castanhas de tamanhos e preços variados. Segundo ele, ano passado o quilo da castanha tamanho GG era comercializado a R$ 70. Agora o preço saltou para R$ 90. “A safra não foi boa esse ano. Qualquer fruta em pouca quantidade o preço aumenta. A gente vai pegar uma quantidade de produto essencial para vender tudo e entre janeiro e fevereiro vem a safra e a gente compra num valor mais acessível”, informou.


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