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CERIMÔNIAS

O momento agora é de celebrar a volta dos eventos

Setor um dos mais atingidos pela pandemia da covid-19, comemora a retomada de suas atividades após dois anos

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Imagem ilustrativa da notícia O momento agora é de celebrar a volta dos eventos camera Márcia Cruz é uma das que comemora a volta dos eventos após anos de prejuízos causados pela pandemia | Divulgação

O setor de eventos foi um dos segmentos mais atingidos pelas medidas restritivas decorrentes da pandemia de Covid-19. A pandemia impactou 97% das empresas do setor, causando um prejuízo de, pelo menos, R$ 230 bilhões em 2020 e 2021. Os números são da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape).

Os números da entidade mostram que mais de 350 mil eventos foram cancelados em 2020 e outros 530 mil deixaram de ser realizados ano passado. Os impactos foram sentidos por mais de 6 milhões de pessoas que dependiam de festas, eventos corporativos, casamentos e shows para sobreviver. Estima-se que hoje o setor de eventos responda por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Profissionais que atuam no segmento, como músicos, garçons, seguranças cozinheiros e produtores perderam seus empregos. Fornecedores tiveram sua renda seriamente abalada ou reduzida drasticamente. Após mais de um ano e meio, o setor, que foi um dos primeiros a parar na pandemia e o último a voltar, começa uma retomada graças ao avanço da vacinação.

Marcos Brandão, proprietário de uma empresa de buffet com 10 anos de atuação no mercado paraense. Os negócios estavam num crescente no final de 2019, época em que a empresa realizava, em média, 30 eventos por mês, chegando muitas vezes a 40. “Mas o ano de 2020 chegou e com ele a pandemia em março daquele ano, pegando a todos de surpresa prejudicando sobremaneira o setor de eventos. Mas conseguimos resistir”, conta.

Marcos Brandão diz que a luta foi grande, mas conseguiu resistir
📷 Marcos Brandão diz que a luta foi grande, mas conseguiu resistir |Divulgação

Marcos manteve a empresa em atividade e não demitiu nenhum dos seus colaboradores, pagando as contas com a implantação de um delivery, onde não tinha qualquer experiência. “Conseguimos fazer muitos eventos como dia dos pais e das mães. Tudo no sistema delivery. Mas não dava para manter a empresa apenas com isso. Tivemos que recorrer a um empréstimo e colocar os funcionários por 2 meses em casa recebendo parte do salário pago pelo governo federal”, relembra.

A retomada teve início no meio do segundo semestre do ano passado. O movimento começou fraco, mas hoje, cerca de 6 meses depois a empresa quase que retornou ao patamar anterior, realizando cerca de 20 eventos por mês. Hoje o buffet conta com 3 funcionários de carteira assinada, mas trabalha com 20 a 40 prestadores de serviço, dependendo do tamanho e da periodicidade dos eventos.

“Os casamentos e festas de 15 anos continuam liderando nossa carteira. As formaturas também estão sendo feitas, mas em formato menor, para menos pessoas. Estamos recebendo muitas encomendas de mesas de lanche, que cresceram muito no pós-pandemia. São eventos menores, mas contínuos e que estão nos ajudando muito. Trabalhamos com sonhos, que tiveram que ser interrompidos, mas que estão sendo realizados agora com toda a força”, destaca o empresário.

O desafio de se manter e se readaptar

O empresário Alberto Serruya, com 30 anos de atuação no segmento de eventos, diz que a pandemia chegou de surpresa para todos no setor, “infelizmente de forma desagradável, sem expectativa de quando terminaria”.

Serruya diz que na ocasião era hora de pensar e reuniu seu staff para deliberar que ações seriam tomadas. “O primeiro passo foi reduzir todos os custos possíveis e evitar ao máximo demitir. Resolvemos centralizar os setores de depósito de materiais, criando um único espaço, reduzindo o custo de aluguéis”, recorda.

Alberto Serruya ainda diz temer novas variantes
📷 Alberto Serruya ainda diz temer novas variantes |Divulgação

O passo seguinte foi reduzir a mão de obra o mínimo possível, “ainda que contra a nossa vontade, pois a maioria de nossos colaboradores estava conosco há muito tempo”. Com muito esforço a empresa conseguiu manter o quadro, principalmente o de mão de obra especializada. “Isso era essencial, pois sabíamos o tamanho da responsabilidade no retorno das atividades devido à agenda de inúmeros eventos a serem cumpridos e já contratados”.

Durante a pandemia a empresa conseguiu realizar por volta de 20 eventos, com poucos cancelamentos, dada a confiabilidade dos clientes. “Readaptamos a nossa realidade, criamos novas estruturas, aprendemos a reduzir custos, mas preservamos o mais importante que é manter a qualidade e o compromisso com nossos eventos. Já realizamos até o momento 90% dos antigos eventos, desde que o decreto permitiu”, contabiliza.

Apesar do mercado ainda não estar 100% aquecido, Alberto Serruya diz ainda estar receoso pela ocorrência de novas variantes que provocam novos surtos como o que ocorreu em janeiro.

“A realidade atual trouxe eventos com custo muito mais caros, em tudo o que diz respeito a mercadoria, fornecedores e mão de obra. Vamos ter que tentar nos readaptar e reinventar fórmulas para atender o mercado de forma satisfatória, mantendo o padrão de qualidade”, avalia.

Ômicron impediu retorno total

A meta era retomar 100% da programação de eventos no país no início deste ano. Mas o surgimento de variantes, como a ômicron, fez com que diversas cidades do país cancelassem festas de carnaval. Agora o setor também tem de lidar com custos novos, provenientes dos protocolos — que são fundamentais —, além de um público potencialmente menor.

A cerimonialista Ana Flávia Ferreira, com 22 anos de atuação no mercado paraense, lembra que o mercado de eventos foi o primeiro a parar e o último a voltar nesta pandemia.

Ana Flávia evela que ficou sem dormir durante a pandemia
📷 Ana Flávia evela que ficou sem dormir durante a pandemia |Divulgação

“Passamos dias e noites sem dormir, angustiados com um futuro incerto de poder ou não realizar o seu sonho na data marcada. Eram os clientes de um lado, e do outro, profissionais enlouquecidos com a avalanche de pedidos de remarcações, cancelamentos, fazendo malabarismo com suas agendas e tendo que cumprir eventos já pagos meses antes... Só quem teve muito equilíbrio emocional e reservas financeiras superou essa crise”.

A empresa de Ana Flávia fez acordos com colaboradores para não demitir ninguém. Numa outra frente entabulamos negociações de aluguel e contas que continuavam chegando, e reduzimos custos particulares para que pudéssemos garantir o sustento de nossas famílias. Mas acredito que o pior passou. A vacina está provando isso. Os clientes estão eufóricos pelas festas e o ritmo terminou acelerado em 2021 e assim começou em 2022”, comemora.

O “novo normal” trouxe junto festas menores, com orçamentos mais enxutos. “Os profissionais foram impactados com a inflação e a alta dos preços, principalmente no setor alimentício e decoração, influenciado pela alta do combustível, insumos, dólar, guerra, etc....”

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Por ser dinâmico, a cerimonialista diz que o setor de eventos busca cada vez mais alternativas para viabilizar os projetos dos clientes, com o menor orçamento possível, a fim de que não falte trabalho. “Precisamos regularizar nossas contas e passar por tudo isso com um grande aprendizado: somos um mercado forte, de grande importância para a economia, mas, na mesma proporção, vulneráveis”, acredita.

Empenho para realizar sonhos

A relações públicas Márcia Cruz lembra que o setor de eventos em Belém era muito movimentado até o início de 2020 na capital. “Não tinha um fim de semana onde não tínhamos festas badaladas, inclusive com artistas nacionais”.

Só que em 15 de março de 2020 tudo parou subitamente trazendo muitos transtornos. “Não sabíamos como conduzir ao pé da letra os direitos e deveres, tanto dos clientes quando de nós, fornecedores. Tivemos que rever contratos e aguardar as Medidas Provisórias (MP’s) que o Governo Federal colocou em vigor. Foram longos meses tendo que lidar com algo pelo qual nunca passamos”, recorda Márcia Cruz, que integra a Associação das Empresas e Profissionais do Setor de Eventos e Entretenimento do Estado do Pará (Pará Eventos).

Com o tempo as coisas foram se ajustando, mas a RP lembra que os clientes ficaram muito nervosos. “Muitos estavam com seus eventos pagos integralmente e muitos queriam 100% de retorno financeiro, o que era impossível. A desinformação era enorme”.

Com o tempo e as medidas anunciadas pelo poder público, ajustes foram feitos e começam a acontecer alguns eventos pequenos, de acordo com que o governo liberava, com várias restrições. “Tínhamos que nos arriscar porque tínhamos que realizar os sonhos que ficaram parados. Desde o segundo semestre de 2021 seguimos realizando eventos, ainda com restrições até que o governo libere 100% e possamos aos poucos recuperar o setor”.

PARA ENTENDER

Retomada

l O governo federal sancionou em maio de 2021 o Programa Nacional de Retomada do Setor de Eventos (Perse) que concedeu linhas de crédito, autorizou a renegociação e parcelamento de dívidas e previu uma compensação de parte dos prejuízos causados pela pandemia. O objetivo da medida era atingir 20 milhões de famílias. Mas, para muitas empresas, não deu tempo de esperar pelo socorro. Estima-se que um terço delas tenha deixado de existir em meio à crise.

l Muitos recorreram ao auxílio-emergencial para continuar sobrevivendo e o governo federal sancionou, em maio de 2021, uma lei que criou ações emergenciais de socorro ao setor.

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