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MAIO CINZA

Médico alerta sobre os efeitos do câncer no cérebro ao corpo

Segundo o especialista, o diagnóstico precoce e a conduta terapêutica adequada são essenciais para impedir a progressão desse tipo de câncer.

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Imagem ilustrativa da notícia Médico alerta sobre os efeitos do câncer no cérebro ao corpo camera Apesar de incomuns, as neoplasias malignas cerebrais ganharam importância no cenário da epidemiologia do câncer devido à alta letalidade. | Leila Cruz/Ascom HOL

Um levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontou que os cânceres do Sistema Nervoso Central (SNC) ocupam a oitava posição em homens e a décima posição nas mulheres da região Norte. No Pará, o número estimado de casos novos para cada ano do triênio de 2023 a 2025 é de 250 casos, sendo 130 no sexo masculino e 120 no sexo feminino. Esses valores correspondem a um risco estimado de 2,91 casos novos a cada 100 mil homens e de 2,77 a cada 100 mil mulheres. Cerca de 90% desses tumores se desenvolvem no cérebro e somente uma parcela acomete a medula espinhal e os nervos cranianos.

Apesar de incomuns, as neoplasias malignas cerebrais ganharam importância no cenário da epidemiologia do câncer devido à alta letalidade. E, neste mês, conhecido como “Maio Cinza”, o especialista do Hospital Ophir Loyola (HOL) alerta sobre o diagnóstico precoce do câncer cerebral, uma patologia originada devido às mutações genéticas no DNA das células, que se multiplicam de forma desordenada e formam o tumor. A doença pode trazer sérias consequências e afetar a qualidade de vida do paciente, porém os sintomas variam conforme o tipo, localização e estágio da doença.

Existem três tipos de tumores mais frequentes no HOL: as metástases cerebrais, seguidas dos tumores de hipófise (benignos) e os gliomas de alto grau (também chamados de glioblastomas) e os meningiomas. Os tumores benignos crescem de forma silenciosa, com poucos sintomas. Já os tumores malignos têm evolução rápida e ocasionam complicações em razão da compressão causada nas estruturas vizinhas ao tumor e pela hipertensão intracraniana.

“Os primeiros sinais são dor de cabeça intensa, visão turva, perda de equilíbrio, alterações na linguagem e na memória, vômitos, e até mesmo convulsões. As causas são diversas, podem ser genéticas, como o histórico de câncer, as síndromes Li Fraumeni e Lynch, mas também ambientais como a exposição à radiação”, informou o chefe do Serviço de Neurocirurgia do HOL, José Reginaldo Brito.

Segundo o especialista, o diagnóstico precoce e a conduta terapêutica adequada são essenciais para impedir a progressão desse tipo de câncer. “Em caso de um ou mais sintomas, um médico deve ser consultado. Geralmente, são solicitados exames como tomografia computadorizada de crânio seguida da ressonância magnética. Caso alguma alteração clínica ou de imagem sejam identificadas, o paciente deverá ser encaminhado a um serviço de referência”, orientou o neurocirurgião.

“O tratamento inicial é cirúrgico com o objetivo de fechar o diagnóstico definitivo, por meio da análise de uma amostra do tumor que é encaminhada para a avaliação. A outra finalidade é retirar o tumor na totalidade ou realizar uma ressecção parcial quando existe a impossibilidade da ressecção completa. E, conforme o tipo histológico, no caso dos tumores malignos, a sequência do tratamento será a radioterapia e a quimioterapia”, elucidou Brito.

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Dor de cabeça, visão turva e vômitos constantes levaram o pescador Fernando Matos, de 21 anos, a procurar um oftalmologista. Entretanto, o morador do município de Breu Branco não imaginava que um tumor cerebral era a causa dos sintomas. “Imaginava um problema na vista, mas fui encaminhado para um neurologista. Quando vi, já estava no Hospital Regional de Tucuruí e de lá fui transferido para o Hospital Ophir Loyola, onde fiz a cirurgia e passei quase três meses internado. Mas, graças a Deus, saí sem nenhuma sequela. Agora vou aguardar o resultado da biópsia para saber se é benigno ou maligno”, contou.

Os tumores cerebrais malignos podem surgir diretamente no cérebro ou chegarem até o órgão. São considerados primários quando originados das células do SNC (do próprio encéfalo, dos nervos cranianos e das meninges), e podem invadir e destruir os tecidos cerebrais. Os tipos mais frequentes nas mulheres são os meningiomas, enquanto os glioblastomas acometem mais os homens. Mas também surgem a partir de um câncer, normalmente de mama, pulmão ou gastrointestinal e se espalham para o cérebro por meio da corrente sanguínea, a chamada metástase, comumente diagnosticada em adultos.

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A enfermeira Maria Izabel Ramos, 48 anos, foi diagnosticada com um câncer de mama em 2020 e passou por uma cirurgia conservadora. Após dois anos afastada, retornou às atividades laborais, porém começou a sentir tonturas, dor de cabeça e problemas na visão. E, durante uma consulta, o médico informou que ela não poderia mais retornar à residência porque estava com uma metástase cerebral. Em sete meses, foi submetida a duas cirurgias, além de radioterapia e quimioterapia.

“Fiquei internada em setembro do ano passado, quando ocorreu o primeiro procedimento cirúrgico. Mas não foi possível retirar todo o tumor em razão da área em que estava localizado. Passei por sessões de radioterapia, contudo os sintomas voltaram e os exames de imagem constataram a evolução do tumor. Novamente passei por uma abordagem cirúrgica no cérebro, foram nove dias na Unidade de Terapia Intensiva. Entretanto, desta vez, foi possível retirar toda a massa e precisei de enxerto de pele. Após um mês internada, irei pra casa e continuarei em acompanhamento ambulatorial”, disse.

“Alguns tumores são mais agressivos e possuem uma evolução mais rápida, portanto, identificá-los o quanto antes é imprescindível para um melhor prognóstico e manutenção da qualidade de vida em geral. Quando se fala em câncer, especialmente em um órgão importante como o cérebro, o diagnóstico em estágio inicial é determinante. Principalmente, quando se trata de metástase por ser uma condição que exige atenção e acompanhamento médico constante”, destacou Reginaldo Brito.

Habilitado como Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), o hospital realiza o tratamento de 133 pacientes com câncer cerebral. Somente no ano passado, recebeu 73 casos novos da doença, e mais 10 pacientes até março deste ano. A unidade hospitalar possui ambulatórios de diversas subespecialidades e oferta recursos terapêuticos contra os tumores do Sistema Nervoso Central. Os pacientes são referenciados pela Unidade Básica de Saúde ou Secretaria Municipal de Saúde do município de origem, via Sistema de Regulação.

O Serviço de Neurocirurgia dispõe de uma equipe altamente especializada na realização das cirurgias de alta complexidade, alguns procedimentos somente a instituição executa pelo SUS em todo o Estado. Na região Norte, foi a primeira instituição acreditada pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e Ministério da Educação a ter um programa de residência médica na especialidade, realizado em parceria com outras instituições.

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