Era final de 2019, quando a COVID-19 surgiu em Wuhan, na China, como uma doença misteriosa e altamente contagiosa. Em poucos meses, o coronavírus se espalhou rapidamente pelo mundo, atingindo todos os continentes e gerando crescente preocupação global. Já no dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que a doença havia atingido o status de pandemia, uma crise de saúde sem precedentes.
Menos de uma semana após o decreto da OMS, o Pará registrava o primeiro caso confirmado, em 18 de março de 2020, há exatamente seis anos. A partir dali, o vírus transformou radicalmente a rotina do estado, afetando o sistema de saúde local e desafiando a população e as autoridades públicas a lidarem com uma emergência sem igual.
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À medida que o vírus avançava, o mundo enfrentava uma corrida contra o tempo para entender e conter a doença. Os primeiros dias foram marcados por incertezas, enquanto os países tentavam lidar com a rápida disseminação do SARS-CoV-2, vírus causador da COVID-19.
Na época, o estado do Pará, assim como outras regiões do Brasil, vivenciou um colapso nos sistemas de saúde, com hospitais rapidamente sobrecarregados e uma busca desesperada por leitos e respiradores.
Doença fatal e medo constante
Quando o primeiro caso foi confirmado no Pará, o cenário já era tenso, com a propagação da doença em outras regiões do Brasil. Inicialmente, o paciente, de 37 anos de idade, retornava de São Paulo, onde o vírus já estava mais disseminado. Após a chegada dele no estado, bastou pouco tempo para que outros casos fossem registrado logo em seguida. Com isso, a crise foi iminente.
Com uma vasta população e grandes desafios logísticos, o Pará se viu em uma luta constante para oferecer cuidados adequados para a população. Diante do cenário global, a saída foi implementar medidas emergenciais de distanciamento social e isolamento, enquanto os hospitais lutavam para receber um fluxo crescente de pacientes.
A perda de vidas foi imensa. Até o final de abril de 2020 o Pará já havia registrado 2999 casos da doença e 224 mortes, número esse que só crescia, segundo dados da Secretaria de Saúde do Pará (Sespa). A crise gerada pela pandemia colocou à prova a capacidade de resposta do estado e evidenciou as desigualdades no acesso à saúde e à informação.
Entre os que viveram a dor e o caos da pandemia está o professor Rômulo Messias, diagnosticado com a doença ainda no ápice da pandemia. Ele conta como ficou sabendo do surto da doença. "Quando se falava de uma pneumonia diferente em regiões da China, que OMS estava monitorando. De início, ninguém acreditava que tomaria a proporção que tomou, até que as notícias que outros países apresentavam casos de difícil diagnóstico", disse.
Ele relembra como foi receber o diagnóstico e a falta de leito para todos que foram contaminados. "Acreditava que seria um caso com poucos sintomas, mas a doença evolui rápido. Fiquei 35 dias internado no Hospital da beneficente portuguesa, com 80% do pulmão comprometido. Esse tempo atendido pelo SUS, já que o não existia leito para o meu plano, pelo SUS recebi atendimento completo, acompanhando médico, medicação, fisioterapia", contou

Para ele, assim como para outros pacientes com Covid na época, a luta era diária. "Pegue já a segunda variante, que foi a mais forte do todas, era um dia após o outro, um exame após o outro e na expectativa de melhorar, acreditando na ciência e na medicina", compartilhou.
Além dos desafios físicos da COVID-19, havia também o impacto emocional de ver tantos amigos e conhecidos perderem a vida. "Durante a intenção o que mais me marcou foi a quantidade de óbitos que chegava, de amigos, de conhecidos", disse.
Apesar de ter se recuperado da infecção inicial, Rômulo convive com sequelas até hoje. "Sempre acreditei no poder dá ciência e as vacinas estão ai para provar isso. Sequelas eu terei para o resto da vida. Comorbidades que não era presentes ficaram mais evidente", destaca.
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O papel da vacinação e o futuro da COVID-19
Sem dúvidas, a vacinação foi a maior arma na luta contra o vírus. No Pará, como no resto do Brasil, a chegada das vacinas foi um alívio para a população, que viu os números de infecções graves e mortes diminuírem consideravelmente. O governo estadual, em parceria com a rede pública de saúde, implementou campanhas massivas de vacinação, com a aplicação de doses de diferentes imunizantes que seguem disponíveis até os dias de hoje.
No ano passado, 2025, o estado recebeu um novo imunizante, a vacina Zalika, que mostrou alta eficácia e foi disponibilizada em todos os 144 municípios paraenses. A vacina tem uma validade prolongada e oferece uma proteção robusta contra as novas variantes do coronavírus. Além disso, a Secretaria de Saúde do Pará segue monitorando a doença, com dados atualizados em tempo real, e continua oferecendo testes e imunizações.
Hoje, a COVID-19 não é mais uma ameaça iminente, mas ainda é monitorada pelas autoridades. A população paraense, assim como de outras regiões do Brasil, segue sendo acompanhada, com a vacinação se mantendo como um dos pilares da estratégia de saúde pública.
Sequelas persistem, mas lições são aprendidas
Apesar de o Pará já ter superado os piores momentos da pandemia, as marcas deixadas pela COVID-19 são profundas. Sequelas físicas e emocionais continuam afetando aqueles que sobreviveram e as lições sobre prevenção e cuidados com a saúde pública permanecem vivas. A experiência de enfrentamento da pandemia também gerou uma reflexão sobre a importância da ciência e da solidariedade.
Rômulo Messias deixa um alerta para aqueles que ainda duvidam da gravidade da pandemia ou da importância da vacinação. “A pandemia existiu, quer alguns acreditem ou não, o fato de algumas pessoas não acreditarem que houve pandemia, não muda o fato de ter acontecido. Quanto a vacina, eu espero muito que as pessoas se conscientizem na necessidade desse recurso. O que me conforta é acreditar que essas pessoas que não acreditam na vacina, devem ser aquelas que não perderam ninguém próximo a elas durante a pandemia, por que não consigo imaginar que alguém que tenha passado os horrores que a COVID trouxe, não acredite em vacina e na ciência", disse, ao relembrar do período em que o vírus estava em alta.
Atualmente, de acordo com levantamento pela Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), até o último dia 10 de fevereiro, o estado registrou 19352 mortes por COVID-19 e mais de 908 mil casos confirmados.

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