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INCLUSÃO SOCIAL

Usinas da Paz impulsionam redução da violência em até 95% no Pará

Com mais de 12 milhões de atendimentos e 28 unidades entregues, programa alia cidadania, segurança pública e transformação social em áreas vulneráveis.

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Imagem ilustrativa da notícia Usinas da Paz impulsionam redução da violência em até 95% no Pará camera Usinas da Paz transformam comunidades no Pará, com inclusão social e queda de até 95% na violência. | Augusto Miranda/Agência Pará

Em meio aos desafios históricos da segurança pública e das desigualdades sociais no Pará, iniciativas que articulam inclusão social, cidadania e presença efetiva do Estado vêm ganhando protagonismo e redesenhando o cotidiano de comunidades inteiras. É nesse contexto que as Usinas da Paz se consolidam como uma das principais políticas públicas do estado, não apenas pela estrutura física que oferecem, mas pelo impacto direto na vida da população. Dados recentes apontam que, em 2025, as áreas atendidas pelos complexos registraram redução de até 95% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), evidenciando uma mudança significativa no cenário da violência.

Mais do que estatísticas, o avanço das Usinas da Paz revela um modelo que aposta na prevenção como estratégia central, ampliando oportunidades e garantindo acesso gratuito a serviços essenciais. Desde 2021, quando foi implantada a primeira unidade, o programa já soma 28 complexos em funcionamento e mais de 12 milhões de atendimentos realizados, consolidando-se como referência nacional na integração entre segurança pública e políticas sociais.

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Governadora Hana Ghassan na inauguração da Usina da Paz em Santa Izabel do Pará.
📷 Governadora Hana Ghassan na inauguração da Usina da Paz em Santa Izabel do Pará. |Marco Santos/Agência Pará

O impacto das Usinas da Paz na redução da criminalidade é apontado como resultado direto da presença do Estado nas comunidades. Ao oferecer serviços nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte, lazer e qualificação profissional, os complexos atuam na base do problema, criando alternativas e reduzindo a vulnerabilidade social.

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Para o secretário de Segurança Pública do Pará, coronel Ed-Lin Anselmo, a estratégia tem se mostrado eficaz. "As Usinas da Paz têm um papel estratégico na redução da criminalidade, porque atuam diretamente na prevenção e na ampliação de oportunidades, gerando emprego e renda a famílias antes desassistidas", afirma. Ele reforça: “"Quando levamos serviços, oportunidades e presença do Estado para dentro das comunidades, conseguimos transformar realidades e prevenir a violência de forma efetiva. Os resultados que estamos alcançando nessas áreas mostram que investir em inclusão social também é investir em segurança pública".

NOVA UNIDADE AMPLIA ALCANCE NA GRANDE BELÉM

A mais recente expansão do programa ocorreu no município de Santa Izabel do Pará, onde foi entregue a 28ª Usina da Paz. Instalada no bairro Vale do Porangaba, a unidade passa a atender mais de 73 mil moradores, ampliando o alcance da política pública na Região Metropolitana de Belém.

Durante a cerimônia de entrega, a governadora Hana Ghassan destacou o caráter transformador da iniciativa. "Esse é o maior projeto de inclusão social do Brasil. Mais que um prédio bonito, a Usina representa oportunidade e futuro. Um espaço que está aberto, com serviços totalmente gratuitos, para todas as famílias da comunidade", ressaltou.

A expansão continua: outras dez unidades estão em construção em diferentes municípios do estado, reforçando o compromisso com a ampliação da rede de atendimento.

DA VIOLÊNCIA AO SENTIMENTO DE SEGURANÇA

Na prática, os efeitos da chegada das Usinas da Paz são percebidos no cotidiano dos moradores. Na Cabanagem, em Belém, a agente comunitária de saúde Isabelle Monteiro, moradora da área há 34 anos, testemunhou a transformação. "Quando a Usina veio para cá, houve respeito e empoderamento. As pessoas passaram a ter a oportunidade de viver com mais segurança", relata.

Ela lembra que, antes da instalação do complexo, a rotina era marcada pela violência. "Havia muitos assaltos aqui, porque não existia um ponto estratégico, um espaço como esse. Era um dia a dia de violência. De duas em duas semanas, ou até mais vezes no mês, a gente encontrava corpos estendidos pelas ruas. Eram assassinatos, eram brigas. Muitas vezes, pessoas que começavam essa violência em outros bairros e passavam em fuga por aqui, porque essa região também dá acesso a Ananindeua".

O impacto atingia diretamente a rotina da população. "No meio dessa rotina, às vezes você saía de casa para ir à escola ou chegar à parada de ônibus e acontecia arrastão. Então, a violência impactava muito a rotina das pessoas, antes da chegada da Usina".

TRANSFORMAÇÃO NO COTIDIANO

Após a chegada da Usina da Paz, moradores relatam mais segurança, retomada dos espaços públicos e novas oportunidades no dia a dia.
📷 Após a chegada da Usina da Paz, moradores relatam mais segurança, retomada dos espaços públicos e novas oportunidades no dia a dia. |Pedro Guerreiro/Agência Pará

Após quatro anos de funcionamento, a Usina da Paz da Cabanagem já soma 1,7 milhão de atendimentos e um cenário completamente diferente. "Depois da Usina, a realidade mudou. Antes, nem na frente das casas as pessoas podiam ficar. Vivíamos trancados dentro de casa. Nós éramos os prisioneiros, enquanto os bandidos estavam soltos, fazendo o que bem entendiam. Havia muito medo de sair para a rua e realizar atividades simples do cotidiano", afirma Isabelle.

A mudança também se reflete na economia local e na ocupação dos espaços públicos. "E como essa mudança foi percebida? A pessoa começou a desenvolver o seu empreendedorismo. Hoje, já ficam abertos até onze horas, meia-noite, pequenos comércios, tabernas e lojas. As pessoas conseguem andar livremente com seus telefones, algo muito simples, mas que antes não acontecia", pontua.

Ela acrescenta ainda o reforço na segurança. "Com a chegada da Usina, também houve maior circulação dos agentes de segurança na região. Os carros da polícia estão sempre por aqui, nas esquinas. Isso trouxe respeito e uma sensação maior de segurança para a comunidade e para os moradores da região. Mudou drasticamente a vida de todos nós", ressalta.

COMUNIDADE MAIS VIVAS

Na Terra Firme, o impacto segue a mesma lógica. Morador da região há 43 anos, o vendedor Anselmo Azevedo relata uma mudança visível desde a instalação da Usina da Paz no bairro, que já ultrapassou 1,6 milhão de atendimentos.

“"A mudança é visível. As pessoas voltaram a ocupar os espaços. As famílias participam das atividades e o sentimento de segurança aumentou. A comunidade está mais viva, mais unida e com uma perspectiva mais positiva. Isso mostra que, quando se investe em inclusão, educação, cultura e esporte, o impacto na redução da violência é real e transformador", avalia.

UMA NOVA PERSPECTIVA DE FUTURO

Integradas ao programa Territórios pela Paz (TerPaz), as Usinas da Paz têm como eixo central a promoção da inclusão social e a melhoria da qualidade de vida em áreas vulneráveis. Ao levar serviços essenciais e oportunidades para dentro das comunidades, o programa cria condições para mudanças estruturais duradouras.

Além dos indicadores de segurança, há efeitos simbólicos importantes, como o fortalecimento do sentimento de pertencimento. A transformação pode ser resumida em gestos simples, mas significativos.

"Hoje existe, sim, um orgulho muito grande, quando alguém pergunta onde a gente mora. A resposta vem hoje, sim, com orgulho: 'Eu moro lá na Cabanagem, perto da Usina'", diz Isabelle Monteiro.

EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO

Atualmente, o Pará conta com 28 Usinas da Paz em funcionamento, distribuídas entre a capital, Região Metropolitana de Belém e municípios do interior. Outras dez unidades seguem em construção, ampliando o alcance da política pública.

Com resultados expressivos e relatos que evidenciam mudanças concretas na vida da população, o programa se consolida como uma das principais estratégias do estado para enfrentar a violência por meio da inclusão social. Uma aposta que, ao que tudo indica, já começa a transformar o presente e redesenhar o futuro das comunidades paraenses.

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