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SOCIOBIODIVERSIDADE

Bioeconomia movimenta R$ 13,5 bilhões por ano no Pará

A bioeconomia no Pará movimenta R$ 13,5 bilhões anualmente, revelando um potencial transformador para a região.

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Imagem ilustrativa da notícia Bioeconomia movimenta R$ 13,5 bilhões por ano no Pará camera Cacau movimenta quase R$ 2 bilhões por ano no Pará | Pedro Guerreiro/Ag.Pará

A floresta, os rios e os saberes tradicionais já movimentam bilhões de reais por ano no Pará e colocam a bioeconomia amazônica no centro das discussões sobre desenvolvimento sustentável no estado. Um levantamento inédito coordenado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas revelou que a bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta atualmente R$ 13,5 bilhões anuais em Valor Bruto da Produção (VBP) no território paraense.

O estudo, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará, Universidade Federal do Oeste do Pará e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, utilizou metodologias da Organização das Nações Unidas e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para mapear o impacto econômico das cadeias produtivas ligadas à floresta e às comunidades amazônicas.

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Entre os segmentos que mais movimentam recursos estão a mandioca, responsável por R$ 6,5 bilhões em produção anual, seguida da pesca e aquicultura, com R$ 2,7 bilhões, além do cacau, que soma R$ 1,7 bilhão, e do açaí, com R$ 1,5 bilhão.

Apesar de setores como mineração e agropecuária ainda apresentarem valores absolutos superiores, os pesquisadores destacam o peso social da bioeconomia no Pará. Segundo o relatório, o setor já ocupa mais de 271 mil pessoas e gera cerca de R$ 1,4 bilhão em massa salarial.

Além disso, o levantamento mostra que cada R$ 1 investido na bioeconomia gera R$ 1,13 no Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Conforme o produto avança na cadeia produtiva, o efeito econômico cresce, chegando a R$ 1,40 na etapa de comercialização.

Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, o estudo representa uma mudança estratégica na forma de pensar o desenvolvimento amazônico.

“A Rede de Bioeconomia é resultado de uma articulação que transcende a formação de um consórcio de pesquisa, representando uma resposta estruturada à necessidade premente de construir um novo paradigma de desenvolvimento para a Amazônia, fundamentado em dados robustos e cientificamente validados”, afirmou.

Cumaru expõe perda de valor fora do Pará

Um dos pontos que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a cadeia produtiva do cumaru, matéria-prima utilizada pelas indústrias cosmética e alimentícia.

O estudo identificou que os dados oficiais subestimam a produção real no estado. Enquanto os registros do IBGE apontavam produção de 148 toneladas e movimentação de R$ 13,3 milhões, o levantamento da Rede de Bioeconomia encontrou produção efetiva de 267 toneladas, movimentando R$ 24,4 milhões.

A pesquisa também revelou que o produto chega a ganhar 330% de valor após a industrialização, mas grande parte desse processo ocorre fora do Pará, reduzindo o ganho econômico das comunidades extrativistas.

Segundo o professor Luiz Gonzaga Feijão da Silva, existe grande potencial para ampliar a agregação de valor dentro da própria Amazônia.

“Os dados de produção do cumaru estão subestimados, os negócios estão voltados majoritariamente para a exportação e há muitas possibilidades de inovação local para agregar valor ao longo da cadeia”, destacou.

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Alertas

O relatório também aponta entraves estruturais para o fortalecimento da bioeconomia paraense. Entre eles estão a informalidade elevada em cadeias tradicionais, como a da mandioca, em que mais de 99% da produção ocorre fora dos registros fiscais.

Outro desafio envolve a distribuição desigual da renda. Na cadeia da castanha-do-pará, por exemplo, os coletores retêm apenas 2,9% do valor final do produto.

Além das questões econômicas, os pesquisadores também chamam atenção para os impactos da emergência climática nas cadeias produtivas amazônicas. Estudos de campo realizados em municípios como Marabá, Rondon do Pará, Santarém e Oriximiná identificaram perdas severas na produção de castanha, mandioca e açaí devido às secas e queimadas.

Para a diretora da Fapespa, Atyliana Dias, o setor já possui relevância econômica consolidada, mas ainda precisa avançar em distribuição de renda e fortalecimento territorial.

“Isso quer dizer que, para os pesquisadores, o futuro da bioeconomia no Pará depende menos de expandir a extração e mais de redistribuir valor, fortalecer a organização social e proteger os territórios diante da crise climática. O setor já existe, gera bilhões e sustenta milhares de famílias”, afirmou.

Ela acrescenta que o desafio agora é transformar essa potência econômica em um modelo sustentável de desenvolvimento para a Amazônia.

“Mais do que uma promessa, a bioeconomia já é uma realidade no Pará. O fortalecimento das cadeias produtivas, aliado à inovação e ao conhecimento tradicional, pode ampliar mercados e melhorar a qualidade de vida da população”, concluiu.

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