A Prefeitura de Belém realiza ações de captura e monitoramento de morcegos em diferentes áreas da capital para investigar a possível circulação do vírus da raiva. O trabalho é coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde e da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ).
A iniciativa faz parte do Programa de Vigilância da Raiva e tem como objetivo acompanhar a presença do vírus entre morcegos, conhecidos como quirópteros, e identificar possíveis áreas de circulação antes que a doença alcance animais domésticos ou pessoas.
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As capturas são feitas em pontos definidos pelas equipes de vigilância, principalmente em locais com vegetação abundante, árvores frutíferas e possíveis abrigos de morcegos. O trabalho ocorre durante a noite, quando redes de neblina são instaladas em pontos estratégicos.
Segundo a Prefeitura de Belém, a capital paraense não registra há mais de 20 anos transmissão da raiva por morcegos. Mesmo assim, o monitoramento é mantido devido à participação desses animais na circulação do vírus em outras regiões do país.
O médico-veterinário sanitarista da UVZ, George Hamilton Silva, explica que os casos de raiva registrados no território nacional têm relação com variantes do vírus que circulam entre populações de morcegos.
"Os casos de raiva que nós estamos tendo dentro do território nacional têm participação ativa da VG3, que é um vírus que circula entre as populações de quirópteros (morcegos)", afirma ele.
O acompanhamento também busca diferenciar situações normais do comportamento dos morcegos de ocorrências que podem indicar algum problema. Segundo George, essa avaliação é importante para evitar tanto o contato inadequado com os animais quanto o alarme desnecessário entre os moradores.
Animais são encaminhados para análise
Depois da captura, os morcegos passam por identificação da espécie, sexo e hábitos alimentares. Parte dos animais é encaminhada ao Instituto Evandro Chagas (IEC), onde são realizadas análises para verificar a presença do vírus da raiva.
A pesquisadora em saúde pública Lívia Medeiros, da Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do IEC, explica que o laboratório identifica inicialmente a espécie e analisa principalmente o cérebro e as glândulas salivares.
O cérebro é analisado porque o vírus da raiva se concentra no sistema nervoso central. Já as glândulas salivares estão relacionadas à transmissão do vírus.
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Entre os exames utilizados está a Imunofluorescência Direta (IFD). O laboratório também pode recorrer a técnicas de biologia molecular, como o RT-qPCR, para identificar o material genético do vírus e auxiliar na caracterização da variante encontrada. "Monitorar morcego é detectar o vírus antes dele chegar em cão, gato, bovino ou pessoa", afirma Lívia.
A identificação de animais infectados ajuda a vigilância a localizar áreas onde o vírus pode estar circulando. A partir dessas informações, podem ser adotadas medidas como o reforço da vacinação de cães e gatos e a avaliação de possíveis exposições envolvendo pessoas.
Quando um morcego pode representar risco?
A Prefeitura de Belém alerta que encontrar um morcego em seu habitat natural não significa, necessariamente, que o animal esteja doente.
A presença de morcegos em árvores, forros e outros locais escuros pode fazer parte do comportamento natural das espécies. A situação exige maior atenção quando o animal aparece em circunstâncias incomuns, como dentro de uma residência, caído no chão, morto ou apresentando movimentos anormais.
"Nós sempre temos que ter essa noção do que é normal e anormal, para a gente não criar um pânico daquilo que não existe", explica George.
A recomendação é não tocar, matar ou tentar capturar o animal por conta própria. A população deve procurar a Unidade de Vigilância de Zoonoses para receber orientação e solicitar o manejo quando necessário.
O que fazer ao encontrar um morcego?
Se um morcego entrar em casa, a orientação é, quando possível, isolar o cômodo, abrir portas e janelas e permitir que o animal deixe o ambiente sozinho ao anoitecer.
Caso seja necessária a captura, a população deve acionar a UVZ. A recomendação também vale para colônias encontradas em árvores, forros ou outros locais, que não devem ser manipuladas diretamente.
Se houver contato físico com um morcego, mesmo que ele pareça morto, a orientação é lavar imediatamente o local com água e sabão por cerca de 15 minutos e procurar uma unidade de saúde.
O atendimento médico deve avaliar a necessidade de profilaxia pós-exposição contra a raiva. "Todo contato com morcego deve ser avaliado por um profissional de saúde", orienta Lívia.
E quando o morcego entra em contato com cães ou gatos?
Cães e gatos que tenham contato com morcegos também devem ser acompanhados. Nesses casos, a orientação é manter o animal sob observação e comunicar a ocorrência à Zoonoses.
A vacinação antirrábica é uma das principais formas de prevenção da doença em animais domésticos. A UVZ mantém um posto fixo para vacinação contra a raiva.
O que fazer ao encontrar um morcego
- Não toque diretamente no animal;
- Não mate nem tente manipular o morcego;
- Se estiver dentro de casa, isole o ambiente e, quando possível, permita que ele saia sozinho;
- Acione a Unidade de Vigilância de Zoonoses para orientação;
- Em caso de contato direto, lave o local com água e sabão por cerca de 15 minutos;
- Procure imediatamente uma unidade de saúde;
- Se um cão ou gato tiver contato com um morcego, mantenha o animal sob observação e procure a orientação da Zoonoses.
Vacinação ajuda a proteger cães e gatos
O monitoramento realizado pela Prefeitura de Belém integra a estratégia de vigilância da raiva na capital paraense. A análise dos morcegos permite identificar possíveis áreas de circulação do vírus e orientar medidas de prevenção.
Além do trabalho de vigilância, a manutenção da vacinação antirrábica de cães e gatos é considerada uma das principais medidas para reduzir o risco de transmissão da doença aos animais domésticos e, consequentemente, às pessoas.
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