A longevidade dos brasileiros reforça a importância do planejamento financeiro para garantir renda, autonomia e qualidade de vida durante a melhor idade. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a expectativa de vida no país chegou a 76,6 anos. Com mais anos de vida após os 60, o desafio passa a ser não apenas se aposentar, mas também manter recursos suficientes para um período mais longo.
Nesse cenário, a previdência privada aparece como uma alternativa de planejamento financeiro de longo prazo, podendo complementar a renda futura e contribuir para diferentes projetos pessoais e familiares.
Previdência privada ganha espaço
Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) mostram que o segmento de previdência privada apresentou crescimento superior ao do mercado financeiro como um todo.
No Brasil, o volume investido em previdência passou de R$ 1,06 trilhão, em janeiro de 2024, para R$ 1,63 trilhão, em maio de 2026. O crescimento foi de 54,5% no período. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o avanço chegou a 56,6%, com o volume aplicado passando de R$ 79 bilhões para R$ 124 bilhões.
Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), 11,2 milhões de brasileiros possuem pelo menos um plano de previdência privada. Ao todo, são mais de 13,7 milhões de planos ativos no país.
No Sicredi, a carteira de Previdência Privada soma aproximadamente R$ 9,5 bilhões. De acordo com a instituição, o resultado está relacionado à consultoria oferecida aos associados e ao avanço da educação financeira nas comunidades onde atua.
Começar cedo pode fazer diferença
Com o aumento da expectativa de vida, o planejamento financeiro precisa considerar um período maior de utilização dos recursos acumulados. Para a consultora de Investimentos do Sicredi, Maria Tamires Adelino, o tempo é um dos principais aliados na formação da reserva.
“Na previdência privada, o tempo é um dos principais aliados. Quanto mais cedo a pessoa inicia as contribuições, maior é o período disponível para formar a reserva”, explica.
Segundo ela, o planejamento também pode ser ajustado ao longo dos anos, considerando mudanças na renda, objetivos pessoais e necessidades da família.
O investidor pode definir valores, frequência das contribuições e estratégias de acordo com sua realidade financeira, nível de tolerância a riscos e objetivos. A revisão periódica do plano também permite adequar o planejamento a mudanças na renda, composição familiar e prazo até a aposentadoria.
Previdência pode ter outros objetivos
Embora seja tradicionalmente associada à aposentadoria, a previdência privada também pode ser utilizada para outros objetivos de médio e longo prazo.
Entre as possibilidades estão a construção de uma reserva financeira, educação dos filhos, projetos familiares, viagens, intercâmbios e até a compra da casa própria. As contribuições podem ser mensais ou feitas por meio de aportes extras, conforme a disponibilidade financeira.
Os recursos podem ser direcionados para fundos com diferentes estratégias, de acordo com o perfil do investidor e os objetivos estabelecidos. A rentabilidade, porém, varia conforme o desempenho dos ativos que compõem cada fundo, as taxas de administração e as condições econômicas.
Juros compostos
Outro fator considerado no planejamento é a atuação dos juros compostos, conhecidos como “juros sobre juros”. Quanto maior o período de investimento, maior pode ser o efeito desse mecanismo sobre o patrimônio acumulado.
A consultora Maria Tamires destaca que o valor necessário para alcançar determinada renda depende da situação e dos objetivos de cada pessoa.
“O ideal é procurar um consultor do Sicredi para projetar quando a pessoa pretende se aposentar, qual renda poderá ter e qual renda deseja alcançar. A partir dessa análise, é possível estimar o volume necessário e definir uma estratégia de contribuição adequada à realidade atual, com possibilidade de ajustes ao longo do tempo”, afirma.
PGBL ou VGBL?
Entre as principais modalidades de previdência privada estão o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).
A escolha depende, entre outros fatores, da forma como o investidor declara o Imposto de Renda.
O PGBL pode ser indicado para quem utiliza o modelo completo da declaração e contribui para a Previdência Social ou para um regime próprio. Nessa modalidade, as contribuições podem ser abatidas da base de cálculo do Imposto de Renda, respeitando o limite de 12% da renda anual sujeita à tributação. No resgate, o imposto incide sobre o valor total acumulado.
Já o VGBL costuma ser utilizado por quem opta pelo modelo simplificado do Imposto de Renda, é isento do tributo ou já atingiu o limite de dedução do PGBL. Nesse caso, as contribuições não são dedutíveis e a tributação incide somente sobre os rendimentos.
Planejamento deve acompanhar cada fase da vida
A longevidade exige que o planejamento financeiro seja pensado não apenas para o momento da aposentadoria, mas também para os anos seguintes. Nesse processo, começar a investir mais cedo, estabelecer objetivos e revisar periodicamente a estratégia podem contribuir para uma preparação financeira mais adequada ao futuro.
A orientação especializada também pode ajudar o investidor a escolher a modalidade mais compatível com sua realidade, considerando renda, objetivos, prazo e perfil de risco.
Sobre o Sicredi
O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa que atua no crescimento dos associados e no desenvolvimento das regiões onde está presente. A instituição possui mais de 10 milhões de associados e mais de 3 mil agências em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
Nos estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Roraima e em algumas cidades de Goiás, o Sicredi está presente em 261 municípios, com 361 agências e mais de 1,6 milhão de associados.
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