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Ruas que parecem rios em Belém

“Vai nadar, é?”. A pergunta é de uma moradora da rua Caripunas para sua vizinha, quando a mesma tenta sair de casa. Basta olhar ao redor para entender o porquê do questionamento: o que deveria ser uma rua mais parece um pequeno rio. Mesmo quando as chu

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“Vai nadar, é?”. A pergunta é de uma moradora da rua Caripunas para sua vizinha, quando a mesma tenta sair de casa. Basta olhar ao redor para entender o porquê do questionamento: o que deveria ser uma rua mais parece um pequeno rio. Mesmo quando as chuvas param, a água continua no local.

A moradora Maria das Graças Santana convida o DIÁRIO para ver a situação de sua casa. Na cozinha ela aponta as marcas que um alagamento deixou nas paredes. O nível está acima da altura dos joelhos da dona da casa. Uma parte da cozinha foi inutilizada, já que ainda continua parcialmente alagada. Em um canto uma bomba foi instalada para drenar a água, mas não dá conta do trabalho.

Os constantes alagamentos mudaram a rotina da família. A sala virou um depósito de móveis, que ficam suspensos, em cima das cadeiras. “Temos que comer em pé porque as cadeiras ficam segurando os móveis”, conta. As tomadas precisaram ser refeitas, pois estavam dando choque. Na porta de entrada, um batente foi construído para tentar impedir a invasão da água. A solução foi utilizar apenas o andar superior da casa.

A realidade de Maria é a mesma de dezenas de famílias da travessa Quintino com a Caripunas. Ruas próximas também vivem a mesma situação: estão constantemente alagadas. Na passagem Euclides Cunha já existe até limo na água da rua. E os moradores tentam se adaptar a situação como podem. Alguns adotaram a bicicleta como meio de locomoção, outros criam coragem e preferem colocar os pés na água. Uma família comprou galochas para poder sair de casa. A situação já teria até vitimado um morador, que contraiu leptospirose.

PROTESTO

Segundo os moradores, a situação já dura alguns meses e piorou por conta de obras no canal na travessa Doutor Moraes, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Indignados com os problemas que enfrentam diariamente, resolveram protestar ontem interditando a travessa Pariquis com a Quintino.

Tubos da própria obra foram usados para fechar a rua. Com o auxílio de um carro som, os moradores reclamavam das condições da rua e clamavam por melhorias nas ruas. Por volta das 10h, resolveram interditar também a rua dos Mundurucus. O fechamento trouxe prejuízos para o trânsito e uma grande fila de veículos começou a se formar.

A solução encontrada pelos condutores foi voltar, na contramão, até a travessa Rui Barbosa. A Companhia de Transportes de Belém (CTBel) foi acionada para organizar o trânsito. Pouco tempo depois, o secretário de urbanismo, Fernando Pereira, foi até o local para ouvir a reivindicação dos moradores. Os manifestantes o levaram até as ruas alagadas para que o secretário pudesse ver de perto os problemas enfrentados.

No início da tarde, o trânsito na Mundurucus foi liberado. Segundo o secretário de urbanismo de Belém, Fernando Pereira, a situação é resultado de um problema na drenagem profunda da região. “Muitos equipamentos já eram antigos, estavam danificados e não suportaram a intensidade das obras”, explica Fernando. A água que antes escoava por cima da rua, agora permanece no local, já que o canal está revertido em razão dos trabalhos de macrodrenagem.

O tormento dos moradores, entretanto, já tem data para acabar, garante o secretário. “Amanhã (hoje) começaremos a drenagem auxiliar na Rua dos Timbiras, para que possamos amenizar o problema e em dois meses finalizarmos o sistema”.

Sobre a conclusão das obras do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), existem apenas previsões, pois os embates sociais têm tomado mais tempo do que o estipulado. “Muitas famílias ainda moram no local e precisam ser remanejadas. Infelizmente não temos a área liberada para trabalharmos em tempo integral”, diz o secretário.

A garantia de que a população terá suas reclamações atendidas ficará a cargo de um novo canal de comunicação entre a secretaria e os moradores. “Funcionários estarão frequentemente aqui para informar sobre o andamento das obras e ver as necessidades do local”, informa Fernando. (Diário do Pará)

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