Em Belém, somente 65% do lixo coletado vai para o aterro do Aurá
Das cerca de 10 mil toneladas de lixo produzidos diariamente no Pará, quase três mil toneladas deixam de ser recolhidas, ficando a céu aberto ou poluindo rios e mananciais. E o que é mais grave: não existe um só município paraense que disponha de aterro sanitário que atenda a todos os requisitos necessários.
O alerta foi feito pelo engenheiro sanitarista Luís Otávio Mota, representante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Pará (Abes/PA) durante palestra no seminário ‘Planejamento e gestão integrada de resíduos sólidos urbanos no Pará’, realizado ontem em Belém.
“Esse é o grande problema a ser enfrentado pelos gestores municipais nesse século”, diz a consultora em minimização do lixo, Patrícia Blauth. Paulista, Blauth coordena a empresa Menos Lixo, especializada em soluções para a produção de menos resíduos. Essa é, segundo ela, a palavra chave. “Não dá para desperdiçarmos mais. Temos que reduzir a nossa própria produção de lixo. Não adianta só falarmos em reciclagem ou aterros sanitários”, diz ela.
De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), o estado ainda apresenta sérias deficiências no trato dos resíduos sólidos. Segundo o Instituto, o ponto critico é a Região Metropolitana de Belém, cuja produção domiciliar de lixo é de quase dois quilos e meio por dia. O problema é que, mesmo com 98% das coletas domiciliares sendo feitas, apenas 65% do lixo coletado é destinado ao aterro do Aurá.
“Várias soluções estão sendo estudadas e foram apresentadas no seminário”, disse o presidente do Idesp, José Raimundo Trindade. As soluções passariam pela formação de consórcios intermunicipais como instrumento para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, pela regionalização desses consórcios e pela minimização de resíduos, temas abordados durante o seminário. “Precisamos definir o papel de cada um nesse cenário”, afirmou o presidente.
Aterros sanitários poderiam amenizar o impacto dos resíduos, mas na RMB, o Aurá, que é denominado como aterro, nem de longe pode ser considerado dessa forma. Tornou-se um lixão a céu aberto. Tecnicamente, a base do aterro sanitário deve ser constituída por um sistema de drenagem do líquido produzido pelo lixo, o chorume, acima de uma camada impermeável de um material chamado polietileno de alta densidade e sobre uma camada de solo compactado para evitar o vazamento de material líquido para o solo.
SEM VISIBILIDADE
Algumas soluções só não ganham maior visibilidade ou são ampliadas por falta de apoio. É o que ocorre com a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis (Concaves), na Terra Firme.
FALTA APOIO
Há mais de 20 anos a cooperativa integrou-se à rotina do bairro,mas não obtém apoio e reconhecimento da prefeitura. (Diário do Pará)
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