Onze anos após sua implantação, a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) nunca instalou o serviço de levantamento de acidentes de trânsito, uma obrigatoriedade municipal, segundo o que determina a Lei 9.503 de 1997 - o Código de Trânsito Brasileiro. Por conta disso, quem sofre um acidente e precisa desse tipo de serviço amarga uma longa espera, que pode chegar até a 12 horas.
Foi isso que aconteceu com o universitário Rodrigo Freitas. Ao sair para o estágio, por volta das 14h15 da última sexta-feira, o veículo que conduzia foi atingido por um caminhão de uma empresa privada. A perícia só chegou por volta de 1h30 da madrugada. “Eu estava na travessa Wandenkolk e ia dobrar para a José Malcher, quando o caminhão bateu o carro do meu pai. Até mesmo por normas da empresa e para garantir o seguro, ligamos para a perícia logo depois e, desde então, a espera foi longa”, disse. Como metade da pista ficou interditada, um longo engarrafamento se formou. Por causa disso, uma hora após o acidente dois agentes da CTBel estiveram no local, fizeram as marcações na avenida e pediram que os condutores retirassem os veículos. “Quando a perícia, de fato, chegou, as marcações já estavam praticamente apagadas”, disse.
Atualmente, somente um veículo faz o levantamento de acidente de trânsito, pelo Departamento Estadual de Trânsito do Pará (Detran), embora não seja obrigação do Estado. Antes de 1997, chegou-se a ter seis carros, mas após a municipalização da gestão dessa atividade, o órgão estadual não investiu mais no setor. “Após a implementação da lei, a CTBel pediu um tempo para regulamentar a atividade, criando concursos e qualificando profissionais, mas o prazo sempre foi prorrogado. O último venceu em julho”, explicou o coordenador de operações do Detran, Valter Aragão.
Aragão afirma que, em um final de semana movimentado, o órgão chega a receber mais de 30 chamadas para levantamento de acidentes de trânsito. A espera, em média, não é de menos que três horas. “Temos muitas atribuições, não dá para aplicar o investimento em uma área que não é nossa”.
O diretor ressalta que municípios com órgãos de trânsito criados recentemente já fazem esse tipo de serviço, como Ananindeua, Castanhal e Parauapebas.
O QUE DIZ A CTBEL
Joaquim Souza, diretor de trânsito da CTBel, confirma a informação, mas garante que o órgão já está tomando as devidas providências para assumir a responsabilidade. Ele explica que já existe uma listagem com o nome de 40 agentes para serem qualificados pela Polícia Rodoviária Federal. “Nós só estamos esperando que a PRF marque uma data para o início do curso. A partir de então, poderemos executar o serviço”. A ideia é que 120 agentes exerçam a atividade em, aproximadamente, 10 veículos. Mas Joaquim Souza não deu previsão para a implantação. (Diário do Pará)

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