Os moradores do bairro da Pratinha II, que sofrem há mais de dois meses com a falta d’água, prometem interditar a rodovia Arthur Bernardes se a Prefeitura de Belém, através do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb), não regularizar o mais breve possível o fornecimento para a área. Ontem, a equipe do DIÁRIO DO PARÁ constatou mais um dia penoso para os moradores da área.
Nas casas situadas mais próximas da Arthur Bernardes, pela parte da manhã, a água chegou a cair bem fina na torneira, mas de cor amarelada. Já nas casas das áreas mais distantes da rodovia, o líquido sequer pingava nas torneiras. “É um tormento sem tamanho. Não vamos continuar com esse sofrimento. Ou a prefeitura resolve essa situação ou vamos interditar a Arthur Bernardes e não vamos deixar nenhum tipo de carro passar por lá”, ameaça Lícia Vilela, uma das diversas moradoras que está pagando R$ 1,50 pelo balde de água tirada do poço.
O design gráfico Mequias Pinheiro, que mora em uma casa próxima da Arthur Bernardes, também garantiu que a população do bairro vai para o meio da rua reivindicar água para as casas. “Essa é a segunda vez que ficamos mais de dois meses sem água. Ano passado ocorreu a mesma situação. Fizemos reunião com a prefeitura, que nos prometeu melhoria. Fomos para a rua fazer protesto e a situação foi resolvida”. Mas, segundo lembra, pouco tempo depois, os moradores voltaram a ficar sem água. Ele diz que a justificativa dada pela Saaeb, ano passado, foi que uma das peças da bomba que abastece o bairro estaria danificada. “Dessa vez, ninguém explica nada e não estão fazendo nada. Só mandaram um carro-pipa pra cá”.
Mas, segundo os moradores, esse carro é insuficiente, tanto assim, que eles andam quilômetros carregando lata ou balde na cabeça, compram água mineral ou pagam para terceiros, a fim de ter água de um poço implantado no bairro por um morador que cobra para fornecer o líquido.
Nem mesmo as pessoas doentes são poupadas dos transtornos que a falta de água traz. Dona Maria Ferreira, de 72 anos, queixa-se de estar se recuperando de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e ainda ter que passar por sacrifícios para ter acesso ao líquido. “A gente tem que pagar entre R$ 1,00 a R$ 1,50 pela lata de água. Ainda pagamos para o rapaz carregar as latas”, lamenta.
>> Saaeb explica que reestruturação do sistema é delicada
Mas, enquanto os moradores sofrem na Pratinha II com a falta d’água, cabos eleitorais de candidatos percorrem as ruas do bairro em busca de votos. Na passagem Imperador, por exemplo, um grupo de pessoas que carregava bandeiras de candidatos também batia de porta em porta para tentar conquistar o voto dos moradores. “Todo ano eleitoral acontece isso. A gente não tem água, mas os candidatos mandam seus cabos eleitorais para pedir voto da gente. Resolver a nossa situação que é bom, isso ninguém faz”, desabafou dona Fátima Lima, enquanto seguia para casa com um balde d’água na cabeça.
Os moradores da área formada pelo Conjunto Eduardo Angelim, Passagem das Flores e bairro do Fé em Deus, em Icoaraci, sabem bem o que é passar por falta de água há meses. A dona de casa Marilene do Socorro, que mora na Passagem das Flores, disse que sentiu na pele os transtornos de ficar por mais de um ano com a água caindo “a conta-gotas”. “Quando ela chegava, vinha fina e suja, sem condições de uso. O jeito era comprar água mineral para beber e usar a água para lavar roupa”.
Atualmente, segundo a moradora, não está mais faltando o líquido. Segundo ela, desde o episódio em que os moradores fecharam a avenida Augusto Montenegro, próximo do conjunto Eduardo Angelim, não faltou mais água. “No primeiro dia em que a rua foi fechada a água só pingava, Mas, no segundo dia, a água passou a vir mais forte e não mais suja”, lembra.
SAAEB
Através de nota, o Saaeb informou que, em decorrência de um desmoronamento ocorrido na rede de abastecimento do Tapanã, o fornecimento de água para parte do conjunto Pratinha II e para o próprio bairro do Tapanã precisou ser interrompido. De acordo com a nota, o processo de reestruturação do sistema é delicado, pois o terreno cede facilmente, podendo comprometer a estrutura da caixa d’água no local. O Saaeb ressalta que está tomando todas as medidas cabíveis para restabelecer o serviço o mais rápido possível. A nota diz ainda que um desvio na rede de água da Pratinha I foi feito para levar água aos moradores e um carro-pipa reforça o serviço, amenizando o problema da falta d’água nas residências localizadas na área onde o serviço ainda não pode ser restabelecido. (Diário do Pará)
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