Insegurança, assédio moral e metas abusivas são as reclamações da categoria Atualmente, a cada mês 1.200 bancários em média são afastados por auxílio-doença concedido pelo INSS, dos quais a metade por transtornos mentais e por LER/DORT. Os transtornos mentais vão desde uma pequena depressão até tentativa de suicídio. São doenças comprovadamente geradas ou agravadas pelo atual modelo organizacional dos bancos, onde imperam a pressão brutal por cumprimento de metas excessivas e o assédio moral. Quase 80% dessa categoria consideram o combate ao assédio moral e às metas abusivas, como os principais problemas nos locais de trabalho, segundo pesquisa nacional feita em maio desse ano pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). É por esse motivo que nesta terça-feira (31), bancários e bancárias de todo o Brasil realizam o Dia Nacional de Luta contra o assédio moral e as metas abusivas. Em Belém, o ato acontece em frente ao Banco do Brasil da avenida Presidente Vargas, um dos principais corredores financeiros da capital. O dia escolhido é véspera da segunda rodada de negociações entre a categoria e a Federação Brasileira de Bancos sobre saúde do trabalhador, abordando o combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas. As negociações acontecem em São Paulo. O assédio moral é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. A forma mais comum apresenta-se nas relações entre chefes e subordinados em que predominam condutas desumanas sem nenhuma ética, como, por exemplo, começar sempre a reunião amedrontando quanto ao desemprego ou ameaçar constantemente com a demissão, sobrecarregar de trabalho ou impedir a continuidade do trabalho negando informações, desmoralizar publicamente afirmando que tudo está errado, afirmar que seu trabalho é desnecessário à empresa, rir à distância e em pequeno grupo, conversar baixinho, suspirar e executar gestos direcionando-os ao trabalhador, entre outros. >> Segurança: 14 assaltos a bancos foram registrados este ano Segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá, 14 assaltos a agências bancárias foram registrados somente esse ano no Pará, apenas um na capital; no último domingo, quando dois assaltantes foram flagrados pelas câmeras do circuito interno do Banco Real, no bairro Maracangalha, roubando R$ 48.100,00 dos caixas eletrônicos. Os bandidos conseguiram fugir. São elas: Posse de chaves –É também o bancário, o responsável pela guarda das chaves das agências, principal motivo para os crimes de “sapatinho” (quando o gerente e/ou sua família são seqüestrados para os bandidos efetuarem o assalto). O Sindicato também não concorda com esta atitude, pois mais uma vez o trabalhador fica exposto à ação de criminosos. >> Bancário é a terceira profissão mais estressante do país A constatação é de uma pesquisa feita pela International Stress Management Association (ISMA-BR) que revela que o Brasil é o segundo país mais estressado do mundo, perdendo apenas para o Japão.
O tema está relacionado com a saúde mental do trabalhador de modo bastante íntimo. O item é o grande causador do assédio moral.
Na última quarta-feira (26), o sindicato voltou a se reunir com a Secretaria de Estado de Segurança Pública para tratar sobre segurança bancária.
Durante a reunião, especialistas em segurança pública apresentaram aos representantes dos bancos estratégias de segurança, que se executadas em parceria com a polícia e empresas de vigilância, poderão reduzir drasticamente os assaltos às agências bancárias, bem como os crimes de sapatinho e saidinha em todo o Estado.
Transporte de valores– Apesar do risco, são os bancários que além de exercer suas atividades, têm que fazer o transporte de valores, o que para a delegada federal, Gisele Leal, é inadmissível, pois o funcionário não tem treinamento para executar tal função.
O Sindicato propõe que esse transporte seja feito por empresas especializadas, que inclusive é uma das reivindicações da categoria nesta Campanha Nacional.
E ainda sugere que quando algum banco estiver perto de receber altos valores em dinheiro que a polícia seja comunicada para garantir o reforço policial na área.
Entretanto, a segurança bancária não se faz somente de pressões das entidades sindicais, é composta também pela sensibilização das instituições financeiras em relação à segurança de seus funcionários e clientes com o cumprimento de leis específicas sobre o assunto, como a lei estadual 7.013/07, que obriga os bancos a instalar portas giratórias e blindagem em suas fachadas.
Além disso, as áreas que dão acesso aos caixas, inclusive os eletrônicos, também são frágeis em segurança e deixam os clientes expostos a ação dos bandidos.
Já é lei em Belém (8.766/2010) e em Ananindeua (2.438/2010), a instalação obrigatória de barreiras físicas (biombos) em caixas e nos terminais eletrônicos, além da monitoração e gravação eletrônica de imagens através de circuito fechado de televisão da área externa das agências.
E a causa para tanto estresse dos brasileiros é o trabalho que afeta 69% da população brasileira. Ser bancário é a quarta profissão mais estressante, e o motivo está nos constantes assaltos que deixa toda a categoria cada vez mais amedrontada e a automatização dos bancos. De 2008 pra cá, cerca de 50 bancários e bancárias foram atendidos pelo Sindicato com problemas psicológicos pós-assalto. (As informações são do Sindicato dos Bancários do Pará/Amapá)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar