“Eu vou e volto para buscar água umas dez vezes por dia”. A declaração é de Vanessa Pereira, para quem carregar baldes de água da casa da vizinha virou rotina. Mãos e a coluna já sentem os reflexos do esforço. “Preciso fazer isso para conseguir manter a higiene da casa e pessoal de cada um”. Moradora da passagem Liberdade, na Pratinha, ela é um dos que sofrem com a suspensão do abastecimento de água no bairro há cerca de duas semanas.
A falta de água mudou também o cotidiano da estudante Carolina Alencar. Ela conta que antes de ir à aula precisa passa na casa da vizinha para buscar água para o banho. “É muito ruim. Eu tenho que almoçar cedo para poder dar tempo de buscar a água e tomar banho, senão chego atrasada na escola”, diz.
A dona de casa Suellem de Lima é mãe de um menino de dois anos e está grávida de seis meses e está preocupada com a gestação. “Eu estou quase parindo antes do tempo, porque toda hora fico carregando balde para cima e para baixo”.
Damaris Pereira, moradora do bairro, conta que durante esta semana o serviço pareceu normalizado, mas a água faltou algumas horas depois. “Pensávamos que ia voltar, mas ficou só uma gotinha e depois parou de novo”. Além da falta de água, Damaris diz que os moradores enfrentam dificuldade com as chuvas. “Toda vez que chove, a rua enche e as casas ficam alagadas. Parece que ninguém olha pelo nosso bairro”, reclamou.
Responsável pelo abastecimento da área, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb) diz que as interrupções no abastecimento da Pratinha II continuarão em virtude do processo de implantação da nova rede de tubulações do bairro e reafirma que foram feitos desvios na rede do Tapanã para que os moradores da Pratinha II não ficassem sem água, embora diversas famílias continuem sem acesso à água. (Diário do Pará)
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