Há dias a cena se repete. Ao longo da travessa Quintino Bocaiuva, próximo a Bernardo Sayão, no bairro do Jurunas, as casas vão sendo derrubadas uma a uma, para desespero das famílias que moram ali, muitas há vários anos. A demolição é de moradias irregulares, feita pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb). Ontem, mais uma casa foi demolida. Ela teria sido construída em cima de uma comporta do canal, dificultando o escoamento das águas.
A família já havia deixado a casa quando os tratores chegaram, às 7h de ontem. Mas na sexta-feira à noite, Elidiane Menezes, que morava na casa com o marido, dois filhos e a irmã, relatou a dificuldade. “Só depositaram R$ 2 mil na minha conta e me mandaram ir embora. Não recebi auxílio aluguel, informação e nenhum outro cuidado. Só querem que a gente deixe o local, não importa como”.
Quando o trabalho começou, no início do mês, eram 96 casas. Faltam ser retiradas apenas 17. A Seurb diz que as construções irregulares interrompem o lançamento das águas da chuva que vêm pelos canais da 14 de Março, Generalíssimo, Caripunas e Quintino para o rio Guamá.
Localizada em cima do canal, a casa onde o borracheiro Marcos Bastos mora há 9 anos será uma das próximas a vir ao chão. Ao lado, mora Diane Baas, com a filha de sete meses e mais 6 pessoas na casa de madeira de dois compartimentos. Ela reclama que liberaram apenas R$ 2 mil de indenização. “Isso não compra casa em lugar nenhum. Avaliaram a casa em oito mil e deram muito menos que isso”.
O secretário de Urbanismo, Fernando Pereira, reconhece os problemas sociais, mas garante que foi feita negociação com todas as famílias. “Houve resistências, claro, mas a maioria já entendeu e não houve conflitos”. Fernando reitera que foram dadas a elas duas opções: receberem o auxílio-moradia como indenização ou um apartamento no conjunto habitacional que a Prefeitura pretende construir próximo dali. O secretário diz que a medida visa beneficiar toda a cidade, facilitando o escoamento das águas e evitando alagamentos. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar