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Apartados no último manicômio do Pará

O Ciaspa foi implantado em 1982. Inicialmente era administrado por intermédio de um convênio realizado entre a Sespa, a Fundação do Bem Estar Social do Pará e a Polícia Militar. Dez anos depois, o convênio foi encerrado e o Ciaspa passou a ser gerenciado

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O Ciaspa foi implantado em 1982. Inicialmente era administrado por intermédio de um convênio realizado entre a Sespa, a Fundação do Bem Estar Social do Pará e a Polícia Militar. Dez anos depois, o convênio foi encerrado e o Ciaspa passou a ser gerenciado pelo Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Desde 2003 a instituição é administrada pelo Governo do Estado.

Em 1994, a denominação mudou para Unidade de Reabilitação Psicossocial (URPS). Só que ninguém usa esse nome.
Há pacientes que não podem mais levantar da cama, velhos e dementes, uns trazidos do asilo Dom Macedo Costa, para um período curto que se mostrou eterno. Há pacientes que precisam permanecer amarrados às camas, debatendo-se e formando ao visitante uma imagem semelhante ao da personagem do filme ‘O Exorcista’. Outros pacientes andam de um lado a outro, ensimesmados num mundo inatingível. Alguns poucos permanecem horas e horas deitados no chão, alheios a tudo e todos. E há Socorro.

Ela é uma mulher que lava as próprias roupas, que arruma o próprio quarto, que faz singelos ‘fuxicos’, aqueles adornos pequenos de pano que enfeitam travessas de cabelo, que faz pequenas compras, que cria um gato, sob protestos outros que a ela não incomodam. “Acho que já não tenho nada”, diz ela, num falar rápido e gaguejado.

No último manicômio paraense, cujo fim é previsível e desejado, há um Napoleão, como convêm a um lugar que no imaginário popular poderia ser chamado de casa de loucos. O clichê dos clichês seria encontrar um Napoleão perdido por lá. E lá ele está. Sem grandes fatos épicos, nem conquistas heroicas. Apenas um homem que há 35 anos está distante dos familiares, desde que foi trazido de barco do interior de Goiás ao Pará. Com esquizofrenia catatônica e quadro demencial, como está no prontuário médico, Napoleão é o mais velho de quatro irmãos. Antes de ser internado pela primeira vez, quando tinha 20 anos, trabalhava, pescava, namorava. A primeira crise durou 30 dias. Napoleão ouvia vozes. Brigou, pelejando com os próprios algozes internos. Perdeu a batalha. E os dias sucedem para ele em longos silêncios.

“As pessoas não querem ser defrontadas com essa realidade. No entendimento da sociedade esse aqui é o melhor lugar para eles. Aqui nós pensamos diferente disso”, diz Elecilda Carvalho. Na pintura feita pela interna Marlene, há uma casa, um sol e um jardim. Não há paredes nem cercas ao redor. (Diário do Pará)

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